
com a pequena M. em frente a este écran. Faço-lhe cócegas na barriga, pedindo-lhe mentalmente para se desviar e ela responde-me com os seu olhos oblíquos, ora amarelos ora verdes e empurra-me a mão com a testa. Ponho-o na colo, mas moça é sempre moça que se preze, e é teimosa, resiste. "Ainda acordas a Pipoquinha" - penso e o que tem de bom os diálogos com a "criançada" é que são em silêncio, porque têm essa faculdade única de nos compreender, sem necessidade de palavras - "tal qual os Homens" - continuo a pensar.
Porque nada é exacto, não há apenas o certo ou o errado, o branco ou o preto. Só nas ciências exactas, creio. Na vida, nada disso acontece e, muitas vezes, até o que parece é. E torna-se maravilhosa, porque os nossos sonhos podem mudar a qualquer hora, e o terrível esperragado da adolescência torna-se um manjar na idade adulta, bem como a abominável pescada de ontem, hoje sabe-me melhor que lagosta (e reconheço-o em voz alta, porque uma verdadeira mulherzinha assume sempre as suas faltas e é isso que nos faz crescer.
O sol já se esconde por detrás dos prédios da praça e esboço um sorriso: em breve cai a noite, confidente de todas as criações.
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