segunda-feira, 2 de março de 2009

Pinceladas de Outros #1


Gosto da escrita da Isabel Stiwell, sobretudo dos seus editoriais. O de hoje é assim:

Trabalho a mais destrói o cérebro
02 03 2009 08.30H


O patronato que me desculpe mas era exactamente isto que precisávamos de ouvir, logo à segunda-feira, antes de fazermos disparates: o excesso de horas de trabalho leva à demência! Por outras palavras, se não respeitarmos os nossos limites, ficaremos gagás em menos de nada, a esquecer o importante e a recordar o acessório, os neurónios destruídos por excesso de carburação.
A certeza de que permanecer demasiado tempo no emprego provoca stress, problemas de sono, depressão e uma vida pouco saudável, acabando por literalmente provocar a degeneração da nossa massa cinzenta, resulta do estudo feito pelo Instituto Finlandês de Saúde Ocupacional, que vigiou duas mil cobaias de 1997 a 2004.
O assunto é para levar muito a sério, e os empresários devem entender que ter os seus trabalhadores horas a mais à secretária ou à boca de uma máquina, não só não representa mais-valia nenhuma como é sinónimo de mau negócio e risco acrescido. À medida que o cansaço cresce, aumenta a probabilidade de uma má decisão, de conflitos laborais, ou mesmo de um acidente de trabalho, dizem os especialistas do trabalho, citado ontem pela BBC.
O pior é que a crise financeira pode levar quem manda a, no seu desespero, esquecer as recomendações deste estudo. Esquece quem manda e esquece quem obedece. Cary Cooper, especialista de Stress no Trabalho na Universidade de Lancaster, alerta para o perigo da intensificação da cultura do «mostrar a cara», para dar ideia de que se está permanentemente disponível.
«Temo que com a recessão as pessoas vão trabalhar mesmo doentes e aguentem à secretária apesar de exaustas, no esforço de se provarem empenhadas e indispensáveis, reduzindo assim as probabilidade de serem despedidas.»
O medo é compreensível, mas quando o preço a pagar é o nosso cérebro, é melhor mesmo fazer uso da inteligência e procurar o equilíbrio.
Isabel Stilwell
editorial@destak.pt

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