domingo, 24 de maio de 2009

Ainda sábado à noite



- “ Sobre que escreves com tanta força?” – pergunta F. do sofá.
- “ Sobre a esterilização obrigatória em animais de companhia” – respondo, levantando o olhar do teclado.
- “Obrigatória?!”

…Depois de tantos anos em comum, ainda pensamos da mesma maneira, sobre certas coisas. Quando a miudagem foi esterilizada, um de cada vez, claro, foi F. que passou a 1ª noite pós-operatória com cada um deles. Passou-as sentado num maple, com o/a doentinha ao colo, embrulhado(a) numa manta, para os manter quentes, por causa da anestesia. Eu limitava-me a levantar-me de vez em quando, para os ir espreitar, porque F. fazia questão de dizer.

- “Vai-te deitar, em tomo conta”

Foi F. que quase quis desistir de esterilizar a M., já no consultório, porque lhe fazia impressão irem abrir a sua menina; quando esterilizamos o D. e o J., F. sentiu como se fosse com ele, como lhe digo a brincar, solidariedade masculina; quando a esterilização da pequena M. (esta que dorme neste preciso momento quase em cima deste teclado) correu tão bem que me fugiu do colo mal chegámos a casa e correu para ir fazer xixi, que me saltou da cama nessa noite porque estava fina e, um dia, estava tão aborrecida que tirou a casaquinha e descoseu-se, e quando cheguei a casa, ela andava em cima do aquário e tinha uma coisa vermelha de 8 cm a sair-lhe da costura, foi F. que correu comigo para o veterinário, para cozer novamente.
Portanto, obrigatória ou consciente?

Cartoon retirado daqui






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