Comemora-se hoje o Dia Europeu do Vizinho.

No meu entender, o conceito de vizinho foi criado, pelo menos em Portugal, aquando o êxodo do campo para as cidades, em busca de melhores condições de vida, no século passado. Para substituir a família que ficava lá longe, nas províncias, foi criado o conceito de vizinhos, para as pessoas que trocaram os campos vastos pela vida em caixotes de cimento.
Nessas épocas, o ser vizinho/a era uma espécie de irmãos, pais, cunhados e sobrinhos, tudo ali à distância de um patamar. Era uma comunidade de apoio na dura vida da cidade e tudo corria bem (ou mais ou menos bem).
Actualmente, o vizinho ideal é aquele que está sempre ausente…cada vez vivemos mais encaixotados, seja em prédios, condomínios ou vivendas, aos vizinhos que encontramos nas áreas comuns nem rosnamos uma saudação e andamos todos de olhos pregados ao chão, como as ovelhinhas, bichinho que muito aprecio, mas não sou nenhuma delas…[Cansada de repetir isto, pode ser que à força de tanto repetir, alguém me dê ouvidos.]
Se possível, evitamos cruzar-nos com os vizinhos, mal ouvimos algumas vozes, retiramo-nos, como se houvesse receio de infecção contagiosa.
Fui educada para ser educada e cordial com os vizinhos, mas sem dar confiança, nas palavras da minha mãe. Ainda me rejo pela mesma lei: cumprimento quem comigo se cruza, a maior parte das vezes não obtenho resposta, seguro nas portas e nem um obrigado/a escuto, disponibilizo a minha ajuda em caso de avistar alguém carregado ou algo parecido. E pouco mais.

Na sua maioria, acho que nem isso merecem...
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