quinta-feira, 30 de julho de 2009

Linhas Estreitas


Nos últimos dias, muito se tem falado das linhas estreitas. Concretamente, da rede ferroviária de Portugal, que em contraste com a de Espanha, em expansão, conservação e modernização, foi acabando. Por cá, acabasse facilmente com o progresso, com anos e anos de esforços, para ligar povoações até então isoladas pelas serras.

Teria eu 15 anos e fiz, sózinha, de férias de Verão, a viagem de comboio Porto-Vila Nova de Cerveira [de Lisboa até ao Porto fiz a viagem de carro, com amigos da família, dormi na casa deles no Campo Alegre e segui viagem na manhã seguinte, tipo no comboio das 8:10 h ou 8:20 h, já não me recordo bem...). Lembro-me do "meio-urbano", pessoas que iam trabalhar nos arredores do Porto, e que me olhavam com alguma curiosidade [sobretudo as mulheres, mais do mesmo...]. Saindo da zonas urbanas, a paisagem é maravilhosa, de uma beleza emocionante, sobretudo a partir de Viana, em que se processa praticamente pegada ao mar, agreste e frio, como só a nossa Costa Norte sabe ser. Como viajava sózinha e foi coisa para 4 ou 5 h, parava em tudo que era estações e apeadeiros, o meu entretém era mesmo observar a paisagem e as bonitas estações (e os seus azulejos) por onde passava, algumas vacas a pastarem e a arte sacra dos cemitérios, em povoações que ainda não tinham sido cortadas ao meio pelas auto-estradas.

Não tenho grande ligação histórico-cultural a viajar de comboio, nunca morei na Linha (nem na de Sintra, nem de Cascais, nem noutra qualquer...como dizem os meus amigos que por lá vivem/viveram "Se vivesses, não gostavas tanto de comboios..."), mas já viajei de comboio por essa Europa e sei como é agradável. E não são melhor que os nossos Alpha...

As Linhas Estreitas são como as mentes de algumas pessoas deste país [paradas no tempo]: precisam de obras de modernização e de bom marketing. Porque fazem falta...

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