segunda-feira, 26 de abril de 2010

O Abismo de uma Paixão ou o Turbilhão das Estações da Vida




Foi Primavera em Novembro.
Foi Verão no Natal.
Foi Outono na última semana do ano.
Foi Inverno no primeiro domingo do Ano-Novo.

Como todas as Primaveras, foram tempos esplendorosos, de descobertas, de desejos infinitos e vontades indómitas.
Contavas dias, para mim, só os momentos interessavam…

Como todos os Verões, foram tempos radiantes e solarengos, confiantes, apaixonados, dias e noites infinitas, de loucuras e entregas.

Espremíamos migalhas, transformando-as em glórias, ansiando por concretizações, encontros e abraços.

Como todos os Outonos, o arrefecimento surgiu do Nada – recuso-me sempre a “reconhecer” o Outono, em assumir que o Verão acabou, que fazer?! – e, com ele, as primeiras chuvas tornadas lágrimas, o isolamento, o fim da partilha, a hibernação que conduziria ao Inverno.
Nos raros momentos de Sol, insisti sem pudores, combatendo a fuga, apelando a todos os recursos, a todas as [vãs] promessas trocadas.
Puxei-te das garras desse Inverno que instalaste entre nós, com um empenhamento voraz, como se a Vida assim mo exigisse, partindo esse Gelo à força de picaretas, pancadas feitas de flores de aço.


Quatro dias, quatro Estações [da Vida]:

Primavera: tímida e receosa – nada tem a Ingenuidade e a Beleza da primeira vez.
Verão: semi-radioso, com promessas caladas de dias infinitos e noites apaixonadas. Vontades recalcadas, [ainda] o sofrimento latente de quem desmoronou e reergueu-se das cinzas.
Outono: uma manhã balançante, insegura e trémula, de tamanhas fragilidades.
Inverno: aproveitando a porta que abriste, instalou-se nessa tarde chuvosa de finais de Fevereiro, gélido e implacável: sem coragem para pronunciares “Adeus”, mergulhaste, com uma âncora amarrada aos pés, no Abismo da Escolha que fizeste.
Intencional e maligno, assassinaste com fria crueldade e premeditação…

Tínhamos Tudo, mesmo não tendo Nada.

Quando os sonhos e os projectos idealizados a quatro mãos [as mesmas Estações que fragmentam o Tempo] pareciam ganhar Vida, optaste pela Morte, arrastando-me para o Abismo da Dor, da Desilusão e da Mentira.

E este Abismo, Negro e Viscoso, tornou-se o teu covil, onde o gélido Inverno reinará por todas as Estações da tua Vida.

Participação Fábrica de Letras - Abril 2010 - Tema: O Abismo

5 comentários:

maria teresa disse...

Ainda bem que este Abismo é diferente dos meus (escrevi dois)... por uma simples razão, deixou-me de boca aberta de espanto por ser tão bom, melhor por ser mais do que excelente...
Parabéns!
Abracinho

Ana Alvarenga disse...

Nem por isso, querida Maria Teresa! As metáforas [da vida] serão sempre uma constante! Agradeço de coração, Beijo Grande

Anónimo disse...

Escreves muito bem!
parabens =)
Se quiseres participa no meu blog =)

adoraria ter um texto teu por lá =)

beijoka*

S* disse...

Oh quero abismos de paixões e turbilhões de emoções constantes.

Ana Alvarenga disse...

Your favourite girl, és uma querida!
Honrada pelo convite, claro que sim, será um prazer!!! Beijo Grande

S* e terás, terás seguramente! Mas se alguém te afirmar "Não vou desistir de nós", não acredites: mais do que palavras, mereces que to provem! Beijo Grande