Quis o marketing [de guerrilha e não de Afectos…] ditar o primeiro domingo de Maio como o Dia da Mãe. Mais uma balela: Dia de… são todos os que queremos! Não têm data específica no calendário, estão marcados no nosso coração. Sobretudo de quem nos deu o Ser!
Amo a minha mãe desmesuradamente, em todos os momentos, incluindo os que me faz sofrer e, por vezes, chorar. Talvez nesses momentos ainda a ame mais, porque me abstenho de retorquir, de responder à altura da mágoa que me inflige. Será sem querer, será por amor, no entanto, naquele preciso momento, só me destrói… Mas amo-a, porque é natural amar os pais, amo-a pela grande mulher que é e foi, amo-a por tudo que me deu e dá.
No entanto, eu sou a Mãe mais afortunada do Mundo: “os amores da minha vida” são os seres mais amorosos do planeta. Não serão os mais belos [beleza não é fundamental, nem se põe na mesa…], mas são muito saudáveis, muito inteligentes e, só por isso, sou a mãe mais babada deste Mundo.
Foram eles que me escolheram e são os seres mais reconhecidos, que ficam sempre [mas sempre] felizes por me verem, que me recebem sempre [mas sempre] com um sorriso estampado na cara [ok, se preferirem, no focinho…], que não se interessam se estou bem vestida ou penteada e que me amam, incondicionalmente, como sou.
Retirei-os da rua, dei-lhes casa, alimento, calor, educação. Enfim, dei-lhes uma família. Em troca, eles deram-me o Mundo. Tudo que fiz e faço me parece pouco em retribuição do Amor que me dedicam. Não me preocupo com as “más companhia”, nem com o desenvolvimento escolar, nem com o crack ou com shots, apenas em mantê-los protegidos da maldade alheia, bem nutridos e muito, muito amados.
São eternas “crianças”: nunca serão auto-suficientes, precisarão sempre de mim para satisfazer as suas necessidades básicas e eu serei eternamente dependente do seu afecto, de adormecer e acordar a fazer-lhes festas no pelinho sedoso, a reconhecê-los no escuro apenas pelo tacto e pela atitude, de sentir os seus corpinhos na cova dos joelhos ou de acordar com uma focinhada na nuca ou uma lambidela na bochecha.
Aos “amores da minha vida” – e aos que não posso acolher definitivamente, mas apenas cuidar, afagar e alimentar – o meu eterno agradecimento: sou a mãe mais realizada do Mundo.
3 comentários:
Este seu testemunho foi um "sol" agora, meste momento. Tive uma noite um pouco "agitada" porque me preocupei devido à minha ingenuidade, resolvi entreter-me a escrever um texto sobre uma gata que tive e só consegui ir para a cama já muito tarde.Acordei há cerca de meia-hora sobrssaltadíssima, convencida que há mais de dois dias não dava de comer nem de beber a outra gata minha, não a focada no texto, a Lilly.
Que semsação horrível de "mãe" irresponsável...
Abracinho
Compreendo-te perfeitamente e partilho de igual sentimento :)
Bj*
A palavra mãe, vai bastante para lá do simples conceito maternal. Se por um lado designa uma mulher que tem ou teve filhos, não será menos verdade que estará também presente neste termo, a figura de uma mulher carinhosa, afectuosa, protectora e que além disso, deveria ser considerada principal entre outras do seu género. Como o termo facilmente se associa a amor, ser-se mãe é bem mais que um título, não havendo no entanto, algo que explique em toda a sua extensão e plenitude sobre o que é sê-lo. E bem o merecem!
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