terça-feira, 11 de novembro de 2008

A importância das batas nas escolas




Nos colégios, nas creches e nas escolas primária o uso das batas ou bibes devem ser impostos às crianças? Assunto debatido hoje durante o almoço: a X. diz q o filhote não quer usar bibe para “não ser igual aos outros meninos”, a C. diz que, quando era pequena, detestava as batas e estragava-as o mais depressa possível para andar sem elas, também para não ser igual aos outros meninos.
Usei bata na escola (pública) primária até à Revolução (na altura, não compreendi porque deixei de usar de um dia para o outro, assim como não compreendi muitas outras coisas…algumas até hoje). A institucionalização das batas tenho ideia de ser do Estado Novo, que pretendia que não houvesse diferença entre classes (coisas que nem nos passavam pela cabeça, porque estávamos demasiado ocupados a brincar no recreio ou a aprender aritmética, que eram as duas coisitas que fazíamos na escola primária – nem nos passava pela cabeça “olhar” para a roupa ou para o calçado das outras crianças, isso são modernices!). Além da abençoada função de protegerem as nossas roupas das nossas “pinturas” e outros desastres.
C. defende que, mesmo com as batas, percebemos o nível social da criança, se tem uma alimentação correcta, etc., que as batas são abomináveis; X. afirma que o T. (que tem 3 ½ anos) quando vê um grupo de meninos sem batas, diz logo, acusador: “Vês, mãe, aqueles meninos não têm bata.” Alego que o bibe, associado ao panamá, por cores, permite aos responsáveis mais e melhor controlo, quer no recinto quer em áreas abertas, mas não as convenço: X. optaria por manterem o panamá e o cartão ao pescoço. C. mantém que, no nosso tempo, não vestíamos roupa de marca (como agora os miúdos exigem aos pais) e não escolhíamos os amigos pelo tipo de roupa que usavam. E que mesmo casas de roupa famosa (deu como exemplo a LM) e outras entidades importantes, impõem uniforme, vulgo “farda”, aos funcionários. E que detesta isso! P., que nos escutava calado, partilhou que aos 20 anos, teve um emprego em que tinha de usar uniforme, tipo calças e jaqueta azul, e, habituados às calças de ganga, não havia quem não refilasse: “ E se, um dia, nos mandarem usar saias, também tenho que vestir?”, argumentos próprios da juventude.
E interrogo-me: devemos deixar a questão ao critério das crianças? Todas vão dizer “Não às batas”. É mau "ser igual aos outros meninos", tira-nos individualidade? Deverão ser os pais a impor, de acordo com as suas convicções? Deverá ser uma norma da instituição de ensino?
Não convenci as minhas colegas, mas talvez tenha convencido o senhor da mesa ao lado, que se virou para nos ouvir, tão acalorado era o debate.
Gostaria de saber outras opiniões sobre este tema (tão importante) do quotidiano.

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