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sábado, 18 de fevereiro de 2012

Cenas do quotidiano ou Como eu gostaria que fosse



Esta semana, num dia como outro qualquer, tomava o café matinal com uma colega, enquanto ouvia o seu resumo das reuniões ocorridas de véspera. Era fácil e audível, para quem nos rodeava, aperceber-se do teor da conversa, aliás, (infelizmente) nos tempos que correm…

A dada altura, uma “pessoa-colega” de uma das empresas dos edifícios adjacentes, perguntou-nos o que fazíamos, em termos profissionais. Respondendo, passei a segundo plano, enquanto a minha colega explicava ao nosso interlocutor a situação em que se encontra.


Enquanto isso, permiti-me ausentar e reflectir: que importância tem o que faço? Que importância tem a hierarquia ou o lugar que ocupo na Organização?

…Devo ter um karma: é frequente perguntarem-me “o que faço”, profissionalmente falando. Não encaro como uma forma de “meter conversa”, mas tenho sempre vontade de responder que o que faço nada ou pouco revela de mim… Preferia que me perguntassem qual a minha cor favorita, ou a minha Estação do Ano de eleição, ou os 5 livros/filmes que mais me marcaram…qualquer destas insignificâncias é mais designativo de mim do que aquilo que faço, que é, apenas, uma passagem.
 
Será muito audaz?!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Uma 2ªfeira diferente ou Chegou o Verão




Já todos se queixaram do calor repentino que se fez sentir no início da semana…agora que a semana se aproxima do fim, eu não me queixei…

De véspera, deixei a Vila, de olhos rasos de água:

“- Ficava, agora, aqui uma semana” – de olhar perdido no mar.
“- E porque não fica?!”
“- Não posso…melhor, não devo…” – balbucio lentamente – “estou cheia de trabalho” – esta frase coloca-me de novo encurralada – “mas ficava, acreditas?, só com a Pipoquinha e os meus “melrinhos”, que me adoram…só…mas lá para o fim do mês que vem, tiro uns dias” – a ideia devolve-me o sorriso.”

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“ – Basta olhar para si para ver que chegou o Verão” – diz-me à laia de cumprimento.
“ – Achas?!” – entre o radiante e o inseguro – “Pareço uma hortense!” – largo numa gargalhada.
“ – Nem é preciso sentir a temperatura, basta olhar para si” – insiste a vigilante-segurança, e ainda é tão cedo…
“ – Bem, deixa-me ir: sou uma hortense “mascarada” de arco-irís…” – e afasto-me, chocalhando os brincos e o colar de mil-cores. “Ontem custou-me tanto, mas tanto, a ideia de vir…”, chuto por cima do ombro, afastando-me a passos largos.

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Fecho-me. Nos ouvidos, música da época a bombar… mas a bombar mesmo! Grande espectáculo de playback! Ao vivo! Para trás, ficaram as pieguices, agora são as “imortais”, as velhinhas, puro rock, as clássicas, as de sempre. Encarrapito-me na secretária, com o flip-chat em frente, alterno marcadores coloridos, que utilizo como microfone e ajudam-me nos solos de bateria*.
A empresa está quase vazia [pudera, com este tempo maravilloso, só meia-dúzia de tótós e esses não me estranham: entre o olhar perdido nas nuvens, avaliando a velocidade do vento sul no Inverno ou o show de Verão, ninguém estranha. Traduzo para o papel a ideia do fim-de-semana, já atirei as sabrinas para um canto e balouço as pernas enquanto esboço. O tempo passa, devora-me sem dar conta [hum, tenho que ter cuidado: já na semana passada “senti” o vírus envolver-me e tenho que o combater…não, workolic nunca mais].

Quase ao fim da tarde, o chefe aparece, e “visita-me”. Retiro os phones e escuto:
“- Vai para a praia?” – pergunta, com um sorriso irónico.
“ – Mais tarde, já-já não posso” – é melhor assim, ignoro: se se refere aos pés descalços, à flor que já vai quase na ponta dos cabelos e ao poncho transparente, de franjas espaçadas e fininhas, que me escorrega pelos braços [LM e eu comprámos “um lote” deles há uns anos, numa loja que já não existe e estes ponchos sempre suscitaram curiosidade aos meus colegas, não percebo porquê…]…travo o olhar na camisa Desigual que enverga…e o meu olhar diz tudo: muito adequada, também, por acaso… - “veja o que estou a inventar” – apelo, utilizando uma régua de 40 cm para expôr, na falta do ponteiro luminoso. Escuta-me, acenando com a cabeça, em sinal de concordância. Por fim: “Dê-me um cigarro, vamos fumar.”

Saltito da mesa, calçando-me, contrariada. Quer “falar”. Esfrego as sobrancelhas, enquanto debita pelo corredor: “…vamos patrocinar os motards…blábláblá…já viu o mail? Para a semana, vamos para Córdoba…”
Vou escutando, enquanto o ar quente da rua me envolve, transportando-me para outras paragens e continuo acenando a cabeça, não me resta outra opção. Vou escutando…


“- Fui! Para mim, a-c-a-b-o-u! Vou às Docas, celebrar este lindíssimo fim de dia, beber um copo…”
Olha-me, muito sério:
“ - … de água, de coca-cola, não se assuste!” – largo numa gargalhada – “Quero ver o pôr-do-sol, quero dançar…Beeeeijos!”

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“ – Quero música boa, se faz favor, quero cantar, cantar tudo a que tenho direito…” – enquanto prendo o cinto.
“ – Às suas ordens, madam! Que tal o dia?”
“ – Perigoso: “entretive-me” a trabalhar, são os primeiros sintomas…Quero cantar, se não te importas, músicas do nosso tempo…” – insisto, “batendo com os máximos”, num tom que não admite recusas.
“ – E que tal 6ª, a festa na Kapital? Tem tudo o que gostas…”
“ – Nem pensar! Quero ir cedo para a Vila, só penso nisso: esta semana é tremenda, é a Feira do Livro, com concertos e Happy Hour a partir das 22:30 h, é os Mão Morta no Coliseu [não gosto, mas o Fernando Ribeiro vai cantar um dueto com o Aníbal Canibal Animal Qualquer-coisa-que-rime…e é uma grande tentação!], é uma moça qualquer no Pav. Atlântico, é um moço que gosto, David Craig, não sei onde, no Lux?… e eu ando endiabrada! E além disto tudo, tenho vida, né?”
“ – E que é isto senão viver?...”

Eu não digo?! Somos [demasiado] iguais, for God sake…

* Os meus solos de bateria assentaram nisto:

domingo, 18 de abril de 2010

Manhãs de Domingo



(na outra semana)
“- Tens umas cuecas na mala?” – troça F., olhando a bolsa transparente que espreita da mala-assoalhada.
“ – És tão cusco! Vou à depilação amanhã, não quero sujar com cera as da nova colecção…” – justifico, revirando os olhos – “E, fosse para o que fosse…” – subentende-se “…não tens nada com isso”.
“ – Porque não fazes definitiva? Já não te sujava …”
“ – És tãããão Maria, às vezes! És mais gaja que eu! E não me irrites, não me faças lembrar que tenho mais pêlos que tu…não andasse eu sempre em cima do acontecimento…Grrrr!”

(esta manhã, enquanto dobro roupa)
“ – Guarda essas, que ficaram aqui.” – estendo-lhe, concentrada na separação da roupa por montinhos, versus destinos de arrumação.
F. guarda-as no bolso do blusão.
“ – Tu estás parvo?! Não vais pra rua com isso no bolso…”
“ – Vou à depilação!”

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“ – Empresta-me o teu blusão dos F., o mais pequeno. Não ficava giro, com estas calças?” – e rodopio, dançando e balouçando a flor-gancho (ou gancho-flor, sei lá!) que me prende os cabelos atrás.
“ – Não podes ir pra rua com ele…” – adverte-me.
“ – Anda lá, o pequenino, tu pouco usas, só tem a insignía do lado esquerdo, tapo-a com uma echarpe, se vir algum polícia…não quero nenhum dos teus 58, estampados nas costas: os ombros ficavam-me pelos cotovelos, à palhaço… vá lá, não estou com ar muito …Ramones, assim?” – alusão às calças de ganga, botas de salto e blusão de pele, estilo 80’s, uma das minhas últimas aquisições, com cheirinho a raviollis.
“ – Tu tens calças de ganga?!” – pergunta, incrédulo.
“ – Fizeste a mesma pergunta há umas semanas, quando andaste à procura da minha roupa, “ò pá poças”. É assim: emprestas a bem ou a mal: tu vais sair e eu vou buscar o blusão… Anda lá, não vou longe, com estes saltos… e tenho que descarregar a máquina, para não me acontecer como da última vez, que esgotei a memória do cartão…só eu!”
“ – Só vou ao Aki…”- reviro os olhos: bricolage, mais parafusos e outras traquitanas, sem utilidade nenhum – “comprar lâmpadas, que já não temos.”

Calo um “está o armário cheio de lâmpadas, que chatice!”, não vale a pena e insisto: “Vai lá buscar o blusão, se faz favor…ia tão gira, amanhã, ao concerto, assim, com este estilo…mas, na empresa, morriam ao ver-me…quanto mais velha, mais maluca!” – largo, numa gargalhada.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Corajosas…XL



A Elle francesa prestou-lhes homenagem através da publicação na capa.
Estão longe do pretendido/social/correcto look skinny.
Admiro-lhes a coragem... Grandes mulheres, literalmente!

domingo, 7 de março de 2010

(en)FARTEI



“Decretei” hoje o fim do Inverno. Fartei-me, pronto, tenho dito e não volto a trás!

[não sou de “Dia Marcados para”, já repeti inúmeras vezes…]. Afinal, a Primavera é como o Natal…não querem que complete a frase, pois não ? É um cliché, já sei, mas eu, hoje, (en)fartei-me do Inverno.
Então, "manhãs de Domingo" algo diferente: acabaram-se as mantinhas, os aquecedores, a roupa escura, os [abomináveis] collants opacos, os [ainda mais abomináveis] sapatos fechados…
Quero meias, finas de seda, macias e frescas, quero sapatos [mais] abertos, que destapem o peito do pé…azuis, bicolores bege/castanho…
Por cá, deu-se início à Primavera: “Tira-me* aquela saia, que eu não lhe chego…vá lá…por favor… e esse vestido, o amarelo, a ver se [já] me serve…e, isso ao lado, é uma blusa? Tira-ma cá para baixo”, frenesim de pedidos/ordens/whatever… Numa amálgama de calções, calças, casacos, saias, blusas, vestidos [e tudo aquilo que pode haver no mundo feminino], reino, dona e senhora, sobre as cores…
 
Sento-me, em contemplação, perante a arca que alberga os meus vestidos de Verão, os de alcinhas, que pedem havaianas. Aguardam a libertação. Aguardam a vida. Retiro um, azul e amarelo, que destapa as costas até “ao nível da decência” (tradução: cóccix), afago-o carinhosamente:

- “Tu não vais vestir isso hoje…estão 14º!”
- “Não vou…mas queria! Queria…muito! As minhas costas pedem para ver a luz do sol…como eu quero também!”
E, de repente, o quarto ganha com: rosa, laranja, azul, verde, bege, lilás…
Sinto-me salpicada de cores, vivas, vibrantes…
A chuva vai continuar?! Quero lá saber! Gabardines tapam tudo, por debaixo, reina a Primavera! Estou cá eu!

 
* nós por cá, não temos escadote… a mania que não é preciso, que chegamos a todo o lado…

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Fim de Semana Diferente…ou talvez não!


Sábado:

Acordo “toda partida”. Olho para o relógio, dormi 5 horas. “Lindo, para sábado não está nada mal”, resmungo com os meus botões. Mas eu tenho que viver, eu quero viver, foram demasiados anos numa rotina casa-emprego-casa, agora, quero fazer tudo que me apetece. E se tiver que sacrificar alguma coisa, tem que ser o meu sono, não posso deixar cair nada…
Está uma manhã gelada, de nevoeiro cerrado, felizmente a Pipoquinha tem coleira reflectora, penso, não se vê nadinha…

(…)

F. vê-me dentro do carro, aproxima-se de mim e informa-me:
“ – Esse barulho é a correia do…”
“ – Mas eu não te disse nada… “– interrompo-o.
“ - …com este tempo, é normal” – prossegue, ignorando-me.
“ - …desde que não me deixe empanada…Tu é que sabes, quando puderes tratar, agradeço-te, para andar descansada.
“ – Não tens problema. Quando e se ficares empanada, chamas a Assistência.
“ _ Chamo-te mas é a ti…És muito mais giro!” – e recebo um sorriso – “Vou a …” – informo-o – “tenciono estar de volta numa hora e só vou depois dar uma caminhada grande com a Pipoquinha. Volto para casa e já não saio, tenho tanta coisa que quero fazer… Era para passar o fim de semana na Vila, preciso espairecer, mas nem te disse nada, quando soube que o tempo ia estar assim…
“ – É preciso alguma coisa da Makro?” – interrompe-me, as rotinas matinais de sábados de inverno: lavar o carro, atestar depósito, tomar café e ler o jornal na Makro ou no Ikea. Ir às Docas ver o Tejo, meter conversa com os “pescadores”, enfim, arejar as ideias. Tudo muuuuito calmamente.
“- Assim, de repente, sei lá! (pausa). Vê lá, alguma coisa que faça sempre falta, alguma coisa que valha a pena, sei lá!
“ - Ligo-te, se for preciso” – afasta-se, deixando-me a resmungar: “Mas porquê que este rapaz me deixa sempre o banco puxado para trás?! Agora estou aqui 8 dias para pôr isto como deve ser…”

(…)
Cheguei e já não saio mais. Tenho recebido, ao longo da manhã, “mimos” que me fazem sorrir. Quero aconchego, o meu sofá chama por mim, quero fazer como canta o Boss AC “ler os mails na cama”, mas não posso. Há coisas para fazer, volta e meia vou ao pc espreitar as news, envio mensagens, e retomo as minhas actividades, não as minhas mesmo, mas as que têm que ser…

(…)
Estou na cozinha, sinto o carro de F., eu “farejo-o” pela maneira como conduz. Pelo som do carro, sei que é ele, sinto-o de diversas maneiras. Abre a porta, e, de olhos arregalados, vejo-o despejar o elevador: “Meu Deus, trouxe a Makro cá para casa…Valha-me Deus, este rapaz não existe”.
Controlo a ira e o “Nem penses que eu vou arrumar isso…” já na ponta da língua, que transformo num:
“ – Já comeste? Acabei de fazer sopa…está maravilhosa…não tem, sequer, uma batata…não podemos adoecer agora, temos que ter vitaminas e aumentar as nossas defesas…”
“ – Comi qualquer coisa “ – enquanto, espalha tudo na cozinha e fecha a porta.
“ – Comeste porcarias, foi o que foi…Se nesse circo que trouxeste, há coisas com gordura, dá-me uma fanico” – aviso à navegação.
F. espreita o que estou a fazer e vai directo ao armário onde está a varinha.
Recalco o:” Lava as mãos, caramba…pareces um miúdo…e passa por água a máquina…que diabo” até ao momento exacto. Felizmente, não é preciso que esta frase veja a luz do dia, ufa! F. encosta-se a mim, cuja tradução é: “Deixa que eu faço…para não haver sopa espalhada pelas paredes e pelo tecto”, faço de conta que não percebi, e encostando-me à bancada oposta, acendo um cigarro:
“ – Quando foi que eu virei uma Maria?! Olha pra mim: eu mocinha tão engraçada, tanto eyeliner e cabelo esticado, estou aqui de rabo-de-cavalo e camisola às três-pancadas a FAZER SOPA?! NUM SÁBADO À TARDE?!” Enlouqueci de vez e ninguém me avisou…” – apenas obtenho um sorriso trocista como resposta e avanço, na ladainha de queixumes “ E tenho tanto frio”, murmuro.
“ – Está mesmo frio” – confirma-me – “liga os aquecimentos”.
“ – JÁ?! Se começo já a ligar, depois torna-se um hábito…Quando foi que começamos a sentir frio, F.?!”
“ – É a PDI” – olha-me irónico, sorrindo por cima do ombro.
“ – Pensei que era só eu que tinha frio, que estava a ficar doente, sei lá…Lembraste de andares em Janeiro, na Vila, só de calções? Até a mulher do …dizia que não te conhecia vestido, lembraste da risota que foi, quando um dia passou por ti e não te reconheceu, por estares com roupa?” – F. acena em concordância, também ele tem saudades desse tempo – “E de quando fui lá para cima, já nem me lembro o nome da terra, um fim de semana também no início de um ano qualquer, para uma porcaria de uma reunião, sempre com chuva, chuva e frio e de te ligar e tu dizeres que estavas na Vila, a mergulhar, que fazia um dia lindo?!” – olha para mim, enquanto lava e limpa a máquina:
“ – Pede ao S. Pedro o livro das reclamações…”
“ – Oh, às vezes és tão parvo” – quase que amuo e deixo-o sozinho, na cozinha, a arrumar a tralha que trouxe. Dei 2 passos e ouço-o chamar-me:
“ – Trouxe-te isto…e isto…aquilo é para quando for preciso…este faz sempre falta…” num rol interminável de explicações.
“ ‘Tá bem, obrigada, dá sempre jeito” – já me passou o amuanço – “ Come a sopa, está quentinha e faz-nos bem…” – insisto.
“ – Agora não me apetece, mais logo”.
“ – Ai, eu vou comer…pode ser que aqueça.”

(…)
Repimpo-me no meu sofá, na minha salinha [o meu Mundo] com a miudagem toda acampada em cima de mim. Consulto as estrelas, através da janela. Afago os meus amores, que dormem, tranquilos, numa beleza ímpar. Fico embevecida a vê-los dormir [deve ser isto que uma mãe “biológica” sente…], sinto-me em Paz, Serena, sinto-me eu, autêntica, e recordo imagens soltas dos verões na Vila, sorrindo para mim mesma: hoje foi um doce dia de Novembro.





Domingo:

Sou a primeira a acordar [para variar!]: sou a Bruxa Má no Castelo da Bela-Adormecida. Muito ensonada [cada vez estou a dormir menos!], olho, num relance os meus amores…inspiro a Paz que me transmitem e esboço um sorriso no escuro. Encosto-me a F., que dorme profundamente: preciso sentir o meu Porto Seguro. Este é o meu Reino! Que me alimenta, de onde extraio Força todos os dias.

(…)

Estou sentada à mesa da cozinha, a tomar o pequeno-almoço, a “pastar”, ie, a tentar acordar: já fui à rua com a Pipoquinha, já a alimentei e aos meninos, mas o meu cérebro ainda não acordou, são actos mecanizados. F. aparece, dirige-se ao frigorífico de onde retira algo, passa-me a mão no pescoço, acompanhado de “Bom dia” e afasta-se. Nem respondo, sabe que de manhã estou sempre “uma búfala”…Continuo a pastar, nem o café me acorda, olho para o relógio “São horas!” Que diabo, são sempre horas…Tenho tanto que fazer…Que quero fazer…

(…)

Estou na minha casa-de-banho. Olho-me detalhadamente ao espelho. F. passa no corredor, olha-me, pára e sorri. Chamo-o:

“- Olha lá” – pausa de reflexão – “Achas que “ – e repuxo o rosto com as mãos – “faz muita diferença?” – F. coloca-se atrás de mim, e olha o meu rosto no espelho – “Não tenho nenhuma ruga, pois não? Achas que as pálpebras estão a descair? E aqui, as maças do rosto? O pescoço está lisinho?” – pareço uma matraca, acompanho as palavras com gestos.
“- Isso são influências das tuas coleguinhas “- num tom notoriamente sarcástico e reprovador [a culpa é minha, conto-lhe tudo e ele, que as conhece, tira-lhes o perfil de imediato e, infelizmente, não se engana…] – “ vê lá se a …..e a ….têm esses “problemas” de tias?”– enfatiza a palavra “problemas”, ironicamente, numa alusão a 2 amigas minhas.
“ - Não é isso” – tento compor – “é que tinha decidido dedicar este fim de semana a mim, a mimar-me. Porque eu mereço! E cabelos brancos, vês ai algum?” – espalho a cabeleira para cima dele - “tenho que cortar outra vez esta juba, a miudagem já mo prende de noite, na almofada…Que chatice!”
“ – Não tens, não!” – tranquiliza-me – “eu é que estou cheio deles!”
Olho a sua imagem no espelho, e ataco, com ironia acentuada:
“- Pois! Mas aos homens…dão charme e as mulheres, são velhas, meu amor! Raça de preconceitos! Pronto, se não tenho, não tenho…Mas tenho que vigiar” – insisto – “hão-de aparecer!” – enquanto tiro o roupão e piso a balança – “Hei, não te atrevas a espreitar!” – ameaço, feroz.
“- Tááááááá bem!”
“- Hum…não está mal…vai indo… devagarinho…não está mal…” – concluo, com alguma satisfação – “Olha o meu rabo, está a descair?” – coloco a mão nas coxas – “tenho que trabalhar estes glúteos, não achas?” – determino – “e o…?
“ – Chega! Pára com isso!” – e sai rapidamente.
“ – Se não falo contigo destas coisas, vou falar com quem?!” – grito-lhe, indignada, para que me ouça na casa-de-banho contígua – “ com a porteira?!” – e continuo a resmungar, entrando na banheira – “às vezes, parece que és parvo…e não me vires as costas, quando estou a falar contigo…parece que és parvo!”

(…)
Passeio grande com a Pipoquinha, quero descomprimir: está muito, muito vento, ela escolhe onde pôr as patas, para não as molhar. Caminho olhando as árvores do jardim, quase não há ninguém, um ou outro passa de bicicleta. Não há pessoas com cães, para ela brincar. Reflicto em muita coisa, no dia de ontem, na manhã de hoje [não, já não estou “preocupada” com as eventuais rugas e cabelos brancos…estou a sorrir de novo!], encontro-me com a minha mãe, que vem almoçar connosco, sob o slogan: “ Não dormes o suficiente, não te alimentas como deve ser, a trabalhar dessa maneira, ainda adoeces…”. A Pipoquinha fica louca de contentamento ao vê-la, adora-a.
Voltamos para casa, a minha mãe vai-me contando coisas que mal ouço por causa do vento. Em casa, a primeira a ter petiscos é a Pipoquinha. Para os bebés também não faltam…E vamos conversando, cada uma da sua semana de trabalho, desbobinando mágoas, injustiças, os “nossos pequenos nadas”.

(…)
Recebo uma sms do chefe durante o almoço, pede para lhe dar “um toque” quando eu puder. Peço à minha mãe um momento, alegando “Tenho que ligar ao meu chefe”. Em segundos, faço o filme: morreu alguém (ou um familiar de alguém), vamos ter velório pela noite…ainda se for cá…e onde vou arranjar uma florista que entregue uma coroa num domingo à tarde? Enquanto espero que atenda, deslumbro 2 ou 3 que talvez o façam…Quando atende, estou preparada para a resposta:

“- Está bem?” – pergunta-me 2 vezes – “Está melhor?” – bisa, de novo.
“- Estou óptima” – asseguro-lhe, de sorriso escaqueirado. Hum, esta preocupação tem “água no bico”, assinala o meu radar – “Que aconteceu?”
“ – Era só para …blablabla…está a cair imenso granizo, estou aqui com o …. À espera de podermos sair do carro…blablabla” – enquanto o escuto, apetece-me gritar “E isso não podia esperar pr’amanhã?! Palavra d’honra” – “…se for necessário, envio-lhe uma mensagem…blablabla” – conclue.
“ ‘Tá bem, se precisar ligue, beijos e boa viagem!” – desligo a pensar “mas que p***** de conversa esta?!” Acho que só me queria ouvir, saber como é que estou, se não vou encostar à box…eu conheço-o, são muuuuuuitos anos.

Olho para a minha mãe:
“- O meu chefe tem cada uma! Se isto não podia esperar para amanhã, que diabo!” – não obtenho resposta, o seu silêncio significa: “Tu é que sabes!”

Terminamos o almoço, “Mã, preciso de dar uma caminhada, comi que nem um elefante”. Saímos as três, vamos conversando e observando a Pipoquinha, ambas embevecidas, tipo” Ela é tão bonita no meio dos verdes, não é?”
Acompanho a minha mãe ao Metro (separam-nos 2 estações), deseja-me boa semana, regresso com a Pipoquinha, que vai directa à caminha, estafada. Estou gelada, apetece-me um chá.

Vejo se alguém me ligou ou se tenho sms’s: tenho uma, de uma colega que está de baixa: pede desculpa por ter falhado, por outra e eu estarmos a fazer [também] o trabalho dela, que amanhã vai fazer o tal exame – “eu sei, não me esqueci que é um dia penoso para ti”, envio-lhe em pensamento. A tão depressivo texto, só posso responder:
“Pensa em pôr-te boa, para irmos beber uns copos ao BA! O resto ñ interessa, pensa em ti, nós vamos levando, não te preocupes, fachabor. Amanhã, estaremos cntg em pensamento, bjs gds, MUITA FORÇA!
Vou a remoer pelo corredor, fiquei ainda mais gelada com a sms. Vou ao mail: tenho um mail maravilhoso, de uma senhora MARAVILHOSA, que me faz sorrir e emocionar, em simultâneo. Sem palavras, que era muuuuito raro em mim até há pouco tempo, remeto-lhe uma sms, rápida, apenas para não a “deixar pendurada” – odeio que me façam isso, ponho-me logo a pensar parvoíces – atiro com o telefone, que está sempre no silêncio – os telefones a tocarem põem-me histérica e, ultimamente, apanho com cada sinfonia…

(…) e (...)
Vou jogar, para descontrair, vou reflectindo em alguns acontecimentos recentes, que me fazem sorrir…a miudagem está toda tranquila, começou a chover, mas, aqui e agora, é Primavera … Novembro tem dias doces!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Diversão versus decoração









Há 2 semanas para cá, a Pipoquinha dedica-se, com grande esmero, à (re)decoração da nossa salinha.
Este espaço é o nosso mundo. Melhor, é o meu mundo, que partilho com a miudagem. Aqui, pupulam em alegre convívio livros [até ao tecto], revistas, jornais, cd’s, dvd’s, as minhas manualices, as minhas aparelhagens. Aqui mergulho no sofá, com a miudagem toda em cima de mim e encontramos a Felicidade. É aqui que a janela está sempre disponível para os gatos apanharem sol, há uma banqueta para a Pipoquinha ver a rua e daqui vêm o Mundo lá fora [de onde os retirámos…] e observam os pardais, os pombos e as pessoas. É o nosso espaço e está tudo dito. Reina o caos? Nem por isso! Sinto que reina a harmonia.
A Pipoquinha, considerando, também, este o seu espaço [e muito acertadamente], gosta de o redecorar à sua vontade, arrastando para o chão mantinhas e almofadas. Depois, faz a sua caminha, na linha de “À minha maneira”.
Neste momento, dorme placidamente, ocupando, sozinha, um sofá de 4 lugares [como é que um ser tão pequeno o consegue fazer?]. Se eu me estender no outro, igualzinho ao que ela se encontra, ela muda-se mal dê conta e vem para cima de mim…

A nossa salinha é mágica.

Nota: o “teu” Benfica acabou de marcar um golo, puto-giraço, espero que estejas contente! A Pipoquinha dorme, senão enviava-te, de certeza, uma lambidela, cheia de saudades!
Ah, marcou outro, agorinha…

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Os Astros & Eu #2






A “sina” de hoje:
Amor:
A Tela: A vida amorosa apresenta-se tranquila. A felicidade espera por si, aproveite-a!
F: Vida familiar muito gratificante. O ambiente familiar encontra-se na perfeição, aproveite a boa disposição que vos rodeia.
Saúde:
A Tela: Abrande um pouco o ritmo de vida agitado que leva.
F: Dê mais atenção à sua saúde.
Dinheiro:
A Tela: Hoje poderá ser-lhe comunicado que o seu desempenho profissional tem correspondido às expectativas da direcção da sua empresa.
F: A criatividade acompanhá-lo-á ao longo de todo o dia.

…e o dia passou e nós não demos por nada!


terça-feira, 1 de setembro de 2009

Os Astros & Eu #1


A “sina” de hoje:
Amor:
A Tela: A paixão pode entrar de novo no seu coração. A vida espera por si. Viva-a.
F: Cuidado com os falsos amigos, cuide do seu amor. Liberte toda a criatividade que existe dentro de si.
Saúde:
A Tela: Tendência para dores de dentes.
F: Tendência para dores nas pernas.
Dinheiro:
A Tela: Boa altura para comprar o que ambiciona há bastante tempo.
F: Pode comprar aquele objecto de que tanto gosta.

Pelos “astros”, parece-me que vamos ter forrabadó esta noite, mas limitado por dores e por gastos excessivos…’Tá bonito, ‘tá!





Check-list #6

- Amiúde, pôr no Papelão as revistas, os jornais e “tralha” idêntica.
- Amiúde, pôr no Papelão as revistas, os jornais e “tralha” idêntica.
- Amiúde, pôr no Papelão as revistas, os jornais e “tralha” idêntica.
- Amiúde, pôr no Papelão as revistas, os jornais e “tralha” idêntica.
- Amiúde, pôr no Papelão as revistas, os jornais e “tralha” idêntica.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Terminada a semana...

...estou cada vez mais perto do fim das férias, do regresso à Cidade e de tudo que isso implica: a minha vida, feita, forma, sólida q.b.
O dia na Vila foi dominado pela derrocada da arriba em Albufeira (soube na praia, depois de almoço, por pessoas conhecidas) e pelo incêndio perto da zona habitacional de Belas (no próximo ano, na zona hoje ardida, nascerá uma nova urbanização, mais do mesmo!).

As marés continuam altas, a interdição continua (até quando?!), o sol e o vento fustigam-me a pele "Ai, está tão preta!", surpreendeu-se hoje uma senhora conhecida [dahh, como se não fosse habitual, resposta sempre na ponta da língua, que refreei, por educação...e encolhi os ombros, em sinal de conformação!].



domingo, 16 de agosto de 2009

Festas & Romarias



Há festinhas por todo o lado [não, não são d'aquelas...], são as Romarias.

De maior ou menor destaque social, existem.

Ontem à noite foi ver miúdas de 14 anos a tentarem ter 40, e cachopas de 40 anos a tentarem ter 14... Os vestidos a diminuirem e os saltos dos sapatos a aumentarem...

"E que tens tu com isso?", faz-se ouvir a voz da minha mãe, sempre super low profile. Para variar, encolho os ombros e "nada", respondo´, (in)conformada; no entanto, garantam-me o direito de apreciar o que me rodeia...e há com cada figura!

É o Verão, no seu esplendor!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Cheguei-me à frente






Sendo [até] insegura, cheguei-me à frente . Quis saber. E perguntei. Abertamente. Se calhar, nem tanto. Sou cautelosa. Inteligente até. Às vezes, acho. Outras, acho-me brilhante. Sou mesmo. Ardilosa. Calculista.

Ninguém dá as voltas que eu dou. Quando quero. E tão raro querer...

Fiquei esclarecida. Agora, aguardo a oportunidade de agir.

Saber esperar é uma virtude…mas não é a minha, de certeza.

Quero. E quando quero, quero já. Senão, aborreço-me. E perco o interesse.

…um dia, vou-te dizer isto tudo e muito mais…

quarta-feira, 22 de julho de 2009

[Ainda] sobre o post anterior

O J. foi o último bébé a entrar na minha vida. Estava um dia no emprego, e F. liga dizendo que está uma gata bébé presa num cano (uma manilha) e doente, a deitar sangue pelo nariz. A minha resposta: "Consegues tirá-la? Trá-la! Encontramo-nos logo no vet..."

Fiquei a matutar no assunto e no fim da tarde, quando o vejo na sala de espera, com um pacote de flocos na mão, pensei de imediato: "Ai meu Deus!". Abro o pacote de papel e lá no fundo, vejo uma coisinha mínima, toda amarela: " Isto é um menino, não há gatas amarelas...", brandei aos Céus. Tiro aquele ser, parece-me inteiro e já no colo, molho a ponta do dedo e limpo-lhe o nariz, fazendo o sangue "desaparecer"...[ainda hoje a minha amiga Cris diz que F. deitou ketchup no gato para ter uma desculpa para o trazer para casa...] e o gato estava perfeito, aninhado ao meu colo. Quando entrámos no consultório, o dr. VC sorriu e diz-nos: "Que temos, desta vez?". F. explica as condições em que o encontrou e após o chech-up ("Dr., por favor, veja se ele está bem, antes de o juntar aos outros manos...", apelava eu), diz-nos o veterinário: "Podem entreter-se a tirar-lhe o cimento das patas" e mostra-nos as lindas almofadinhas cor-de-rosa coladas com cimento. Ele retirou-lho e após o tratamento necessário, tranquilizou-me com um "Ele está óptimo". E eu sai, radiante, sentindo-me mãe outra vez.

Já em casa, o nosso "ovo-estrelado" [amarelinho por cima, mas de babete imaculadamente branco], esteve 2 semanas de quarentena...para não o pisarmos. Crescia de dia para dia, com umas patas grandes e eu a pensar "Isto vai ser um gatarrão". Hoje, adulto, é alto e esguio, de cabeça harmoniosa, como só os gatos sabem ser...

O Amarelinho é o verdadeiro gato: gosta de estar isolado, dentro de armários e roupeiros, tem um miar de bebezolas, é ele que escolhe quando quer o meu colo e a única pessoa que lhe pega sou eu. Silencioso e observador, fixa-me com os seus grandes olhos amarelo-esverdeados e mia de mimo, gosta de beber água na torneira do meu lavatório enquanto lavo os dentes e de bocejar junto à minha cara. Assiste, com muito interesse, aos meus duches e durante a noite, sinto-o saltar para a cama, onde se aconchega a mim. Grande caçador, dá conta de alguma mosca que encontre e chama-me, para me mostrar o seu trofeu...Todas as manhãs, F. diz: "É o gato mais bonito".

Isso não sei, para mim, todos os gatos são lindos, só sei que o Amarelinho ilumina a minha vida...






sexta-feira, 3 de julho de 2009

Esboços e pinceladas #2


Recebi este mail de uma amiga:
A vida é curta. Quebra regras, perdoa rapidamente, beija demoradamente, ama verdadeiramente, ri incontrolavelmente e nunca deixes de sorrir, por mais estranho que seja o motivo.
A vida pode não ser a festa que esperávamos, mas enquanto estamos aqui, devemos dançar ...

Ana Maria Schall

Não sou a audácia em pessoa, não sou seguramente. Tenho necessidade de ter sempre um plano B, o que significa que não acredito muito, por defeito, no plano A…Só piso terreno seguro, minado nem pensar. Mesmo assim, já ganhei e já perdi, como todos.

Como diz um colega, não tenho, muitas vezes, consciência do meu valor.


Enfim, à conta disto e de outras coisas, estou [quase] decidida a ser audaciosa.

Correndo riscos [coisa que odeio], se tiver coragem.
Devia gritar: “I don’t care!”, não me importo, estou nem aí…mas seria mentira.

Na realidade, importo-me, importo-me demais, valorizo demais e, assim, eu sou demais!



segunda-feira, 29 de junho de 2009

Pobretes, mas alegretes


Não vi tv, nem li jornais no fim de semana. Desintoxicação geral, ouvi a Natureza, a chuva [e de que maneira], ouvi-me a mim própria [confesso que escutei-me ao berros e gritos] e deparo-me agora com esta notícia .

(…) “Estas condições deficientes ou más coincidem com o nível de satisfação com a vida: em Portugal, ele é dos mais baixos, comparado com outros países da União Europeia. Mas o grau de satisfação (6,6 numa escala de 1 a 10) está claramente acima do ponto médio da escala, tal como o da felicidade (que chega aos 7,3 em 10).”

Não acredito no que leio: não acredito na Felicidade dos portugueses, povo lamuriento por definição, basta andar na rua para vermos o ar cabisbaixo, que não é de agora, o semblante franzido.

"(...) Baixo grau de confiança Do mesmo modo, 63 por cento recusa a possibilidade de emigrar. O "apaziguamento" verifica-se ainda em relação às habilitações: só uma minoria deseja voltar a estudar; muitos acham que já não têm idade (51 por cento) ou que não têm tempo (25 por cento). Só em questões relacionadas com a sociedade do conhecimento - aprender línguas, utilizar a Internet, explicar ideias por escrito, acompanhar o estudo dos filhos - a maior parte dos inquiridos revela vontade de progredir."

A “auto-esgrima” anda pelas ruas da amargura [afinal, não é só a minha], e não me parece que as reais preocupações dos portugueses sejam o futebol, a crise, o roubo descarado e os parceiros saco-azul.
As décadas sobrepõem-se e ficamos cada vez mais para trás, mais para trás, perdidos na linha do infinito da Europa e do Mundo…



sábado, 27 de junho de 2009

Fresco, fresquito



As temperaturas baixaram e podemos dormir de novo. Felizmente, este fresco é muito apreciado cá no burgo, a miudagem está mais relaxada, parece-me mais animada, enfim, vamos sobrevivendo.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Idosos em castings para assistência a programas TV

Podemos admitir que as pessoas querem ganhar um dinheirito e aparecer na televisão . Sentados na plateia, cheios de calor por causa das luzes, a aplaudir quando lhes é pedido. Para a família ver...
Se fosse para ocupar o tempo e combater a solidão, há, felizmente, inúmeras maneiras, menos mediáticas, para todos os bolsos ou de borla: passear no jardins ou à beira d'água, ir à Farmácia do bairro conversar, frequentar centros de dia e desenvolver actividades, frequentar universidade sénior, conviver com crianças nos infantários, bater pé no shopping...

Não "têm" que criar os netos, para ajudar os filhos..."têm" de viver.
Enfim, as pessoas com mais de 65 anos, convencionadas "idosas", termo que detesto, podem fazer tudo aquilo (de acordo com as suas possibilidades: física, intelectuais, financeiras) que os demais fazem. Em todas as idades há limitações, ser jovem não é fazer tudo o que queremos...por muito que nos custe.
Este fado do "desgraçadinho que está sozinho"...e não estamos todos sós?! No emprego, na família, em todo o lado, quantas vezes não estamos sós?!
E é alguma tragédia? Não, é assim, nascemos e morremos sós, o intervalo é apenas um fragmento de espaço.




domingo, 5 de abril de 2009

Redução de Inquilinos



Já só há um !
A mãe-pata protege-o a todo custo, irá conseguir concluir a sua missão? Os cágados nadam lentamente, sem a presença dos patinhos a cortarem as águas.
A Pipoquinha estranhou, eu fiquei triste. È um adeus. É uma grande tristeza!

Previligio a vida, sob todas as formas...sem dúvidas.


sábado, 4 de abril de 2009

Haja paciência




Gosto de passear. A pé, de bicicleta e por outros meios. Quando decido passear de bicicleta, tento adoptar um método seguro. Para mim e para os outros. Circulo apenas nas ciclovias e quando tenho que circular fora delas, levo a bicicleta à mão. Não ando aos zigue-zagues pelos passeios, nem pelos jardins e muito menos na estrada. Os dois primeiros são para os peões, portanto, adopto o comportamento de peão. A estrada é para os carros, ponto final.

Mas acho que sou a única pacóvia a adoptar este comportamento. O que vejo é “pedaleiros” no meio dos jardins, com razias às pessoas que passeiam com a família. Vejo outros “pedaleiros” em altas velocidades pelos passeios, contornando pessoas que transportam compras do super-mercado, que se dirigem às paragens dos autocarros, enfim, que circulam no seu espaço, ou seja, o passeio. Os que vejo nas ruas da nossa cidade, são do mais civilizado que há, porque não adoptam nenhum comportamento, nem de condutor, nem de peão: quando o semáforo fecha para as viaturas, estes “pedaleiros” continuam a avançar, sem medos, numa postura superior, do tipo “a minha bike é a melhor do mundo”, “as regras são apenas para os patetas motorizados”.
Este comportamento foi por mim presenciado ontem, nas Amoreiras, pelas 19 h (sim, 6ªf, em hora de ponta, nunca há trânsito nesta zona, que ideia!), uma linda jovem loura, de shorts muito curtos, pernoca à mostra e rabiosque espetado no selim, com headphones nos ouvidos, sem capacete ou outra protecção que não fosse o seu lindo corpinho, prosseguia, indiferente aos veículos – autocarros, camionetas, veículos de todo o tipo. Na sua atitude radical, nada a deteve, nem os semáforos, nem os cruzamentos, nem o trânsito intenso. Confesso que tive medo dela e dos problemas que me podia causar, apesar de eu estar protegida pela carroçaria. Mas senti-me fragilizada: a minha envolvente carroçaria de ferro e metal contra apenas o seu corpo, à vista.
Este menosprezo pelo sagrado que é o nosso corpo intimidou-me e questiono-me se não é nossa obrigação defender a nossa estrutura de pele, carne, ossos e órgãos que a Natureza nos deu.
Só espero que esta linda jovem nunca vá parar ao Hospital do Alcoitão. Mas uma visitinha fazia-lhe bem.