


Iniciei hoje formalmente o Inverno, muito a contra gosto. O acto solene é calçar meias (ugh!) e prender-me numa fina tecelagem de nylon e fibra, que me priva os movimentos e torce a liberdade. Não resisti ao frio e o receio de uma pneumonia foi maior que a tristeza de, oficialmente, despedir-me do verão. Esta triste ocasião tinha sempre um dia marcado, no calendário, independentemente do frio que sacudisse a nossa capital: o dia de aniversário da MJ, a minha amiga do coração (como todas as outras!), de farras, de paródias, de choros e de tristezas. O aniversário da MJ era sempre em grande, uma noitada passada nos sítios do costume, mas com sabor a festa, por isso, era a figuração do Inverno, e só terminava ao raiar do sol tímido de meados de Novembro. Não sei nada da MJ há vinte anos (soube pelo P. alguma coisa dela quando casei, que a MJ vivia nos arredores da capital e que não era feliz, ela, a rapariga mais bonita e mais inteligente que pode haver, sempre teve queda para as pessoas erradas, excepto com A.), mas continua a morar no meu coração e é com uma terna saudade e alguma tristeza que recordo essa nossa juventude, tão louca, tão disparatada, mas, em simultâneo, tão sadia, comparando com os nossos dias.
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