domingo, 8 de fevereiro de 2009

Lembranças



Lembro-me do álbum The Wall, dos Pink Floyd, ter custado 350 escudos.
Lembro-me do primeiro cigarro: nas festas do Santoínho (Viana do Castelo), com a Q.
Lembro-me de um desconhecido me oferecer flores: cravos amarelos, no Metro de Entrecampos.
E lembro-me de outro desconhecido me oferecer flores: aquelas coloridas, que nunca lembro o nome, na Praça da Figueira. (em ambas as situações, eu estava com amigos e não, não foi para os Apanhados…)
Lembro-me da primeira “girafa” que pedi: numa esplanada, num entardecer de verão, na Costa da Caparica.
Lembro-me de ter saltado do trenzinho em andamento, no sentido Costa da Caparica – Fonte da Telha (está óbvio que foi depois da "girafa", não está?)
Lembro-me da primeira vez que vi neve: tinha 3 anos, na terra da minha mãe e o meu pai fez-me um boneco de neve maior que eu…o que não foi difícil!
Lembro-me das matinnés de Carnaval, no extinto C. Monumental, algumas apresentadas por Carlos Cruz.
Lembro-me do primeiro homem que “vi” nú: Richard Gere, em “American Gigolo”, num cinema que já não existe.
Lembro-me de um valente tombo de bicicleta: parti 6 dentes…de leite.
Lembro-me do primeiro dia na escola primária: outras crianças choravam e eu apenas apertava a mão da minha mãe (que me revelou, anos mais tarde, “quem tinha vontade de chorar era eu” e eu compreendia-a).
Lembro-me dos bailes dos Santos Populares, perto de minha casa.
Lembro-me de mergulhar contigo e ficares sentado no fundo, a partir mexilhão e dar de comer aos peixinhos.
Lembro-me da primeira grande perda (eu tinha 8 anos) e que fui eu que o encontrei, com um buraquinho na têmpora, de onde escorria um fio de sangue. Depois, lembro-me de contar ao meu pai, no velório, “…isto tudo parece um filme, não é, pai? Não parece real…”, que me abraçou, ainda com mais força e em profundo silêncio.
Lembro-me da primeira vez que ouvi a palavra “superfulo”, no programa “Peço a Palavra”, de Mário Viegas, e de ter corrido para o dicionário para saber o significado.
Lembro-me da primeira gatinha que tivemos. Chamámos-lhe Fanny, como “Fanny und Alexander”. Bastantes anos mais tarde, morreu ao meu colo, de velhinha.
Lembro-me de vários banhos nocturnos, no mar e em piscina, quando o Verão era insuportavelmente quente.
Lembro-me de um estranho, bem parecido, me ter oferecido a partilha de um táxi, numa tarde de chuva. Rejeitei, ele era demasiado giro!
Lembro-me de ter bebido uma garrafa de Porto com a A., e, naturalmente, da terrível dor de cabeça depois.
Lembro-me da primeira vez que te vi e pensei “ Mais um parvalhão”. Mas, afinal, enganei-me…

E tu, de que te lembras? Conta-me.

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