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quarta-feira, 8 de julho de 2009

Antes que seja tarde (parte I)

Márcia tinha uma vida estável. Márcia tinha, talvez na altura, 35 anos, um marido carinhoso, dois filhos lindos, saudáveis e educados e uma casa maravilhosa, com jardins povoados de sonhos. Tinha um emprego que a realizava, amigos bonitos e divertidos. Tudo a condizer, tipo slogan publicitário de Mulher Moderna…
Márcia tirou o curso que a vocacionou desde pequenina e dividia-se entre o emprego, a vida familiar e social. Márcia dizia-se feliz.

Mas [há sempre um mas, nestas coisas de contos de fadas] um belo dia, conheceu um homem. Até aqui nada demais, todos os dias Márcia conhecia pessoas diferentes. Bruno empregou-se numa empresa no mesmo edifício onde Márcia trabalhava. Bruno era mais novo, era descomprometido, muito brincalhão, com um sorriso aberto e malandro, de dentes perfeitos. Falavam de trivialidades quando se cruzavam no elevador, no café, no estacionamento. Bruno e o seu sorriso faziam-na sentir-se adolescente, confidenciou-me. Márcia amava o marido, os filhos, a vida que levavam, mas o olhar de Bruno acompanhava-a o dia inteiro e fazia-a sorrir. “Fantasia emocional”, dizia-me.
Um dia, Márcia inventou uma história qualquer e deu-lhe o seu número de telefone. Bruno sorriu [aquele sorriso de “outra que já está no papo”] e Márcia pensou: “Que se lixe! Antes que seja tarde…”

Bruno nunca usou essa informação e Márcia achou que se tinha enganado, que tinha interpretado mal os sinais, que se expôs, enfim, sentiu a rejeição dias a fio, vivendo em função de um telefone que nunca tocava. Um dia, Márcia, cansada de esperar e arrependida de ter dado o 1º passo, encontrou Bruno no café e fez-lhe um sinal com a mão direita, que traduzia: “És doido!”. Bruno perguntou-lhe o que ela queria e Márcia, em tom quase inaudível, expôs o que queria: que apenas sabia o que não queria, que não queria compromissos (isso já ela tinha), não queria uma aventura (isso seria fácil e banal demais), que apenas queria sair com ele, fora daquele perímetro, passear num jardim e comer um gelado à beira rio. Porque o sorriso de Bruno lhe fazia bem.

Os nomes são fictícios e eu era uma dos “amigos bonitos e divertidos”.


Lembrei-me disto a propósito do episódio de ontem de Irmãos & Irmãs: podemos estar felizes e contentes numa relação, mas, a dado momento, necessitarmos da companhia de outra pessoa? Só porque ela nos faz bem, porque um flirt faz bem…ao ego e à alma? Podemos amar e trair, ou não há mesmo atracção sexual neste “só porque ela nos faz bem”?
Contarei o resto da história de Márcia e de Bruno conforme o próximo episódio da série Irmãos & Irmãs…



sábado, 18 de abril de 2009

Para reflectir


“Faz todos os dias uma coisa que te assuste” – Eleanor Roosevelt

É-lhe atribuída esta frase, garanto que não conheço a sua proveniência. Mas não deixa de ser interessante.
Eu não faço. A maior parte das pessoas que conheço, também não o fazem, acho. Estará aqui O Segredo *. Em vez de andarmos a ler livro de auto-ajuda e a enriquecer desconhecidos, que tal transformar as surpresas (ui, quase sempre assustadoras) em conquistas e em sorrisos?
Parece que alguns estagnamos, queremos inércia, o mais low-profile possível…até que passe. Não é altura de mudar de casa, nem de emprego, nem de carro, nem de namorado…é altura de manter o que temos…até que passe…é de aguentar.

Não nos faltará um bocadinho de audácia, de iniciativa, de "vamos lá dar cabo deles antes que dêm cabo de nós!"?

Para reflectir…mas só um bocadinho, se faz favor
* Breve alusão ao livro, que dispensa apresentações…


domingo, 5 de abril de 2009

Esfoliar/Hidratar




Beleza não é ser victim fashion. Beleza é cuidado e bem-estar. Desintoxicar. Tonificar. Corpo e alma. Não esquecer nunca. Nos momentos de descontracção, relaxamento total. Grandes passeios tonificam. Regularizam a respiração e revigoram a pele. Domingo é dia de paz, de encontros e reencontros. Comigo própria. Onde não chega mais ninguém.
Gosto de estar só, não gosto de estar sozinha.
A Pipoquinha ressona no sofá, cansada do passeio. Enquanto eu…sinto-me renascer.


sábado, 4 de abril de 2009

Alergias


Não é apenas o Amor que anda no ar, os níveis de pólenes também. Na próxima semana, estão previstas elevadas concentrações.
A próxima semana também trará muitos alérgicos ao trabalho, e, portanto, alguns darão a palmada, quer com férias, quer com baixas…por causa dos pólenes, quiça.
Lá por Vale de Loucos, alérgicos não faltam e a palmada está dada…


quarta-feira, 4 de março de 2009

Tarefas


- Engraxar sapatos.
- Preencher o IRS.
- Arrumar roupa.
- Deixar de chamar "Estúpida" ao Peixe ... ou chamar só às vezes, quando os erros cometidos são de quem tem um Q.I. zero.

terça-feira, 3 de março de 2009

Salpicos



Não sinto que os meus melhores tempos tenham terminado. Sei que foram muitos e bons (“ah, os bons velhos tempos”), lá isso sei! Sinto que apesar dos pesares (da crise, da insegurança nas ruas, nos parques de estacionamento, …), os nossos tempos ainda são muito bons.
Porque o presente decorre, e torna-se passado, demasiado rápido. E, de imediato, estamos no futuro, que se torna presente e, logo, passado. Porque o presente acaba de passar, agora mesmo (viste-lo passar?!).
É a história de cada um de nós, e quem não tem boas histórias para contar?!

domingo, 1 de março de 2009

#11



O domingo é o dia zero da semana, há quem goste, há quem não goste, como tudo. È um dia de viragem, encerra o fim de semana: para uns , é descanso, reflexão, meditações zen. Para outros, encerrando da boémia de 2 noites, é passado a dormir e a ingerir líquidos. Não costumo ter depressões pré-segunda-feira, gosto do domingo. Procuro que seja um dia de desintoxicação mental, com muitos passeios, muitos pensamentos (nem sempre optimistas, é certo), de boa comida, bem acompanhada. È o dia em que procuro olhar mais além, e pedir a Luz aos céus e a ciência do conhecimento. Entrego a alma à natureza e procuro ser uma pessoa melhor durante a próxima semana, olhar-me num espelho d’água e gostar da imagem que vejo reflectida. E quando a noite se aproxima, perder o olhar no infinito, olhar a lua (que está em fase Crescente, neste momento) e sentir que faço parte de uma força da natureza, mas, mesmo assim, não poderei impedir o decurso do Destino: as Coisas vão acontecer, quer eu me preocupe, quer não, porque nem todas as decisões do Mundo me competem.

Eu aprendi a gostar de todos os dias da semana. Quero aplicar o conhecimento do Domingo durante toda a semana.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Gatilhos emocionais



O que me faz disparar em todas as direcções?! Infelizmente, grande parte dos feitos dos “outros”, mas sobretudo aquilo a que chamo:
- Discriminação, ou, se preferirem injustiça de Direitos, o “uns podem, outros não”, o “filhos e enteados”
- Prepotência, o “é assim porque eu quero!”
Considerando-me algo intolerante (oops, ninguém é perfeito(a)), a tirania tira-me do sério. E ela cerca-nos, sobretudo nas “pequenas autoridades”:
- o motorista da Carris que, ainda parado na paragem, mas que já fechou a porta da frente, não a reabre, apesar de ver a idosa a correr pela rua abaixo, acenando freneticamente com o guarda-chuva e as pessoas na paragem batem no vidro, gritando: “Espere um bocadinho”. E se o senhor reabre a porta, muito contrariado, resmunga: “E se fosse o Metro?! Também voltava a abrir a porta?”, e a malta na paragem, em sussurro. “Se fosse uma gaija boa, já abria a porta”…
- o funcionário da EMEL que cinta a viatura e chama o reboque, não obstante os apelos do proprietário: “Não reboque o carro, eu pago o que tiver que ser, mas não o leve pra…”
- o subcontratado da PT que deve verificar umas ligações no prédio ali em frente e, para o efeito, veda o trânsito na rua porque “temos aqui a viatura de serviço, a escada e as malas de ferramentas, vá dar a volta ali por cima, ò…”
- o condutor da viatura atrás, que buzina desalmadamente se o 1º carro não arranca ao 1º instante do semáforo verde, acompanhado de: “anda lá com essa m***, ò idiota!”
- os supervisores de título de transporte do Metro, que encurralam os passageiros ao cimo da estação do Marquês de Pombal, como se estivessem a ferrar o gado.
- o cidadão que cospe e urina nas ruas da cidade, mas mal vê um canídeo, rosna: “mais um para c**** no passeio…”
Eis algumas das minhas intolerâncias perante o despotismo e a discriminação.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Palermices

"As calorias são pequenos animais que moram nos roupeiros e que durante a noite apertam a roupa das pessoas."
E como é Carnaval, podemos fazer/dizer disparates, mesmo aqueles que nos atormentam o ano inteiro...

Responder é boa-educação



Ao passear por blogs, deparo-me diversas vezes com posts de agradecimentos generalizados, dedicados “aos que me desejaram as melhoras”, “ao que me desejaram Bom Natal e Bom Ano”, “aos que me ajudaram a…”
Ora bem, considero que cada carta, tem a merecida resposta, personalizada. É de boa educação. E com os posts, deveríamos agir da mesma forma. Se os meus amigos e familiares me enviarem sms ou mails de parabéns, respondo 1 a 1, consoante o grau de proximidade. Não envio uma sms ou um mail “geral” para todos que se lembraram de mim. E o mesmo se aplica aos exemplos acima citados e a outros casos. Se alguém me telefonar para saber se eu estou melhor da constipação, não respondo dizendo: “Já te envio um mail a explicar tudo”… Não, vou explicando que me sinto melhor (agradecendo, já agora, a atenção), que a tosse já está a passar, as dores de corpo também, etc por ai fora…Ou não é assim?!
Às vezes, (ainda) fico parva com o que me rodeia, caramba! Há coisa intemporais, e a educação é uma delas: se alguém, nos tempos que correm, se lembra de nós, se se interessa pelo nosso bem-estar, TEMOS a obrigação de AGRADECER sinceramente a essa pessoa, de forma pessoal e expressar o nosso agradecimento público. Nem que seja através da blogsfera.
E então quando a justificação é “por falta de tempo, aproveito agora para a agradecer a todos que…” tira-me do sério! O tempo é o que fazemos com ele. Em última instância, rouba-se ao soninho. Mas que ninguém me diga “ah, não te tenho ligado porque não tenho tido tempo, sabes como é…”. Pois, que me digam “não me apeteceu”, “não tive disposição”, aceito tudo (eu própria, algumas vezes, também não tenho disposição para e isso não signifique que não ame de paixão determinada pessoa), menos a abençoada “falta de tempo” e dá-me logo vontade de disparar: “Mas para dormir, tiveste tempo, não foi?”. No entanto, a boa educação de que falámos, impede-me de pronunciar tais palavras e limito-me a esboçar um sorriso amarelo e pensar com os meus botões “Pois, não passo duma porcaria, porque para ires aos saldos já tiveste tempo…” e tomo mais uma Pastilha do Cinismo.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Lembranças



Lembro-me do álbum The Wall, dos Pink Floyd, ter custado 350 escudos.
Lembro-me do primeiro cigarro: nas festas do Santoínho (Viana do Castelo), com a Q.
Lembro-me de um desconhecido me oferecer flores: cravos amarelos, no Metro de Entrecampos.
E lembro-me de outro desconhecido me oferecer flores: aquelas coloridas, que nunca lembro o nome, na Praça da Figueira. (em ambas as situações, eu estava com amigos e não, não foi para os Apanhados…)
Lembro-me da primeira “girafa” que pedi: numa esplanada, num entardecer de verão, na Costa da Caparica.
Lembro-me de ter saltado do trenzinho em andamento, no sentido Costa da Caparica – Fonte da Telha (está óbvio que foi depois da "girafa", não está?)
Lembro-me da primeira vez que vi neve: tinha 3 anos, na terra da minha mãe e o meu pai fez-me um boneco de neve maior que eu…o que não foi difícil!
Lembro-me das matinnés de Carnaval, no extinto C. Monumental, algumas apresentadas por Carlos Cruz.
Lembro-me do primeiro homem que “vi” nú: Richard Gere, em “American Gigolo”, num cinema que já não existe.
Lembro-me de um valente tombo de bicicleta: parti 6 dentes…de leite.
Lembro-me do primeiro dia na escola primária: outras crianças choravam e eu apenas apertava a mão da minha mãe (que me revelou, anos mais tarde, “quem tinha vontade de chorar era eu” e eu compreendia-a).
Lembro-me dos bailes dos Santos Populares, perto de minha casa.
Lembro-me de mergulhar contigo e ficares sentado no fundo, a partir mexilhão e dar de comer aos peixinhos.
Lembro-me da primeira grande perda (eu tinha 8 anos) e que fui eu que o encontrei, com um buraquinho na têmpora, de onde escorria um fio de sangue. Depois, lembro-me de contar ao meu pai, no velório, “…isto tudo parece um filme, não é, pai? Não parece real…”, que me abraçou, ainda com mais força e em profundo silêncio.
Lembro-me da primeira vez que ouvi a palavra “superfulo”, no programa “Peço a Palavra”, de Mário Viegas, e de ter corrido para o dicionário para saber o significado.
Lembro-me da primeira gatinha que tivemos. Chamámos-lhe Fanny, como “Fanny und Alexander”. Bastantes anos mais tarde, morreu ao meu colo, de velhinha.
Lembro-me de vários banhos nocturnos, no mar e em piscina, quando o Verão era insuportavelmente quente.
Lembro-me de um estranho, bem parecido, me ter oferecido a partilha de um táxi, numa tarde de chuva. Rejeitei, ele era demasiado giro!
Lembro-me de ter bebido uma garrafa de Porto com a A., e, naturalmente, da terrível dor de cabeça depois.
Lembro-me da primeira vez que te vi e pensei “ Mais um parvalhão”. Mas, afinal, enganei-me…

E tu, de que te lembras? Conta-me.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

GPS



E qual é a mulher que precisa de uma brasileira (leia-se a voz da maquineta) a gritar-nos que estamos perdidas?! É mesmo coisa inventada por homens e para homens, os tais que se recusam sempre a pedir informações, porque têm um brilhante sentido de orientação?! As mulheres não precisam de GPS, nem andam ás voltinhas: param à beira de qualquer sítio (ok, muitas sem qualquer aviso prévio), descem o vido e perguntam, com um sorriso a abeirar os lábios: “Desculpe, pode dizer-me onde é a R…., por favor?” e ‘tá feito! Muitas vezes, quem informa ‘inda sabe menos que nós, dá qualquer indicação “só para ser agradável”, que é uma faceta muito portuguesa.

“A vida normal é uma coisa muito complicada”



Além de ser uma frase do American Splendor (de 2003, cinema independente), não deixa de ser uma imensa verdade.
Esforçamo-nos à brava para ter uma vida dita normal, isto é, trabalhamos que nem uns doidos, tipo fura-vidas, para termos as ditas coisas normais: casa(s), carro(s), televisões, plasmas, btt’s, moto 4, mota d’água, mini hi-hi, home cinema, barco(s) ipod, ihome, relógios e telemóveis sofisticados, viagens com destinos exóticos, roupa cara, alimentos gourmet, e por ai… resumindo, tudo aquilo que o dinheiro pode comprar. E depois queixamo-nos porque estamos fartos da rotina, dos dias todos iguais, de usar gravata ou saltos altos, resmunguices contra a monotonia, etc por ai fora.
Estou mesmo convencida que “a vida normal é uma coisa mesmo muito complicada”.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Fevereiro





Fevereiro é o mês do Cinema (por causa dos Óscares, estreiam apressados todos os filmes noemados), é o mês dos meus anos, é o mês do Carnaval, é o mês (lá para o finzinho, com um bocado de sorte) de andar de manga-curta e espreitar os primeiros dias de praia. É o mês mais curto, de amores e dessamores, é, quiça, o meu mês favorito, para bailar e rodopiar nos teus braços, até ao nascer da madrugada.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Salpicos de Ternura


Às vezes, concluo que fazes tudo para me fazer feliz, outras vezes, parece que te esforças por me tirar do sério.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

#9


“Uma ave tem que voar, mesmo que os céus estejam cheios de abutres.”
E eu que o diga…

#8


“Fiquei magoado, não por me teres mentido, mas por não poder voltar a acreditar em ti.” – Friedrich Nietzche, filósofo alemão (1844-1900)
Pelos vistos, a mentira foi sempre igual através dos tempos…

domingo, 25 de janeiro de 2009

#7


“No deserto, encontrei-me com Deus e Ele falou-me sobre os dois maiores erros da humanidade: a pressa ante o tempo e a lentidão ante a oportunidade” – Provérbio Persa