O J. foi o último bébé a entrar na minha vida. Estava um dia no emprego, e F. liga dizendo que está uma gata bébé presa num cano (uma manilha) e doente, a deitar sangue pelo nariz. A minha resposta: "Consegues tirá-la? Trá-la! Encontramo-nos logo no vet..."
Fiquei a matutar no assunto e no fim da tarde, quando o vejo na sala de espera, com um pacote de flocos na mão, pensei de imediato: "Ai meu Deus!". Abro o pacote de papel e lá no fundo, vejo uma coisinha mínima, toda amarela: " Isto é um menino, não há gatas amarelas...", brandei aos Céus. Tiro aquele ser, parece-me inteiro e já no colo, molho a ponta do dedo e limpo-lhe o nariz, fazendo o sangue "desaparecer"...[ainda hoje a minha amiga Cris diz que F. deitou ketchup no gato para ter uma desculpa para o trazer para casa...] e o gato estava perfeito, aninhado ao meu colo. Quando entrámos no consultório, o dr. VC sorriu e diz-nos: "Que temos, desta vez?". F. explica as condições em que o encontrou e após o chech-up ("Dr., por favor, veja se ele está bem, antes de o juntar aos outros manos...", apelava eu), diz-nos o veterinário: "Podem entreter-se a tirar-lhe o cimento das patas" e mostra-nos as lindas almofadinhas cor-de-rosa coladas com cimento. Ele retirou-lho e após o tratamento necessário, tranquilizou-me com um "Ele está óptimo". E eu sai, radiante, sentindo-me mãe outra vez.
Já em casa, o nosso "ovo-estrelado" [amarelinho por cima, mas de babete imaculadamente branco], esteve 2 semanas de quarentena...para não o pisarmos. Crescia de dia para dia, com umas patas grandes e eu a pensar "Isto vai ser um gatarrão". Hoje, adulto, é alto e esguio, de cabeça harmoniosa, como só os gatos sabem ser...
O Amarelinho é o verdadeiro gato: gosta de estar isolado, dentro de armários e roupeiros, tem um miar de bebezolas, é ele que escolhe quando quer o meu colo e a única pessoa que lhe pega sou eu. Silencioso e observador, fixa-me com os seus grandes olhos amarelo-esverdeados e mia de mimo, gosta de beber água na torneira do meu lavatório enquanto lavo os dentes e de bocejar junto à minha cara. Assiste, com muito interesse, aos meus duches e durante a noite, sinto-o saltar para a cama, onde se aconchega a mim. Grande caçador, dá conta de alguma mosca que encontre e chama-me, para me mostrar o seu trofeu...Todas as manhãs, F. diz: "É o gato mais bonito".
Isso não sei, para mim, todos os gatos são lindos, só sei que o Amarelinho ilumina a minha vida...
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