segunda-feira, 6 de julho de 2009

O saber não ocupa lugar


J1 é dos meus colegas mais novos. Novo na empresa e novo na idade. J1 tem 28 anos. De vez em quando lembro-lhe “Ainda tu brincavas com o Accion Man, já eu arranhava nesta empresa…” Obviamente, o nome do boneco tem duplo sentido (não é por acaso que não é o Ken ou outro bicharoco parecido). J1 cora como tudo e fica sossegadinho no seu canto.
Hoje, a propósito não sei do quê, J1 diz-me que o limite que impõe a si próprio para uma rapariga lhe dar o mail ou o telefone é 2 semanas.

- “E não lho pedes?” – pergunto eu, admirada.
- “Não, ela é que mo dá, se quer. Se não der no espaço de 2 semanas, andou, passo a outra.”
- “Ai, anda cá, conta-me tudo, que isso interessa-me. E não a achas oferecida, assim, dar-te o telemóvel sem mais nem quê…? – aperto com ele.
- “Não, ela já deve saber (muito os homens gostam de deduzir que nós sabemos tudo…) que estou interessado nela.
- “Mas se não tens o mail nem o telefone dela, como a conheces?” – insisto, a tentar perceber este mundo da miudagem.
- “…Temos amigos em comum, encontramo-nos nos mesmos bares…”, responde, condescendente.
- Ya, hoje veio a loura” – desculpo-me, envergonhada – “já não me lembro…”
- “Esta" – prossegue J1 – "ontem troquei 3 frases com ela e hoje enviou 1 mensagem a uma amiga, a dizer que gostou muito de conversar comigo. Deu-me o mail… "
-“Mas como" – insisto, cada vez mais loura [quem se levanta às 5 h a.m. anda assim todo o dia: bronca – "como é que te dá o mail, assim?”
- “Em conversa” – esclarecimento necessário à burra se serviço: moi – do género, para lhe enviar umas fotos de animais…Mas vai ser complicado: ela tem 24 anos e nunca namorou…" - conclui, apreensivo.
- “Pode não querer...” – tento compor, hesitante, perante o ar preocupado de J1.
- “Esta, quer. E o primeiro relacionamento marca muito..."
- “E ela não é a mulher da tua vida?" – atiro, de rajada, como é meu hábito.
- “Não, não é!”

As coisas que eu [ainda] aprendo no trabalho!


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