quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Amanhã, digo-te…




Que gostava de ser mais calma, menos ansiosa e menos impulsiva.
Que gostava ser tolerante perante a estupidez.
Que casei com o único homem que amei. E dura há 15 anos.
Que já andei a 120 km/h. Às vezes mais, às vezes menos.
Que já trabalhei muito, muito. Hoje, apenas trabalho muito.
Que tenho dificuldade em conviver com algumas pessoas. Com outras, não.
Que a morte roubou-me a pessoa que mais amei. E não voltei a ser a mesma.
Que gostava muito de rever alguns amigos. Outros, estão comigo há 30 anos.
Que tenho saudades da pessoa que já fui.
Que assisti ao 1º e ao 2º Festival de Vilar de Mouros. Do 1º, apenas tenho uma vaga ideia.
Que já andei à boleia.
Que existe sempre uma criança dentro de mim.
Que tenho medo de envelhecer. Mas minto.
Que não gosto de viajar, mas gostava de ir a Cuba ainda no reinado dos Castro.
Que gostava de voltar a Londres e a Roma.
Que preciso de estabilidade e segurança.
Que me fazes rir.
Que gostava de ter um irmão.
Que descalço-me sempre quando chego a casa.
Que sou fiel às minhas convicções e aos meus princípios.
Que gosto de estar sozinha, mas não me sinto só.
Que não gosto de aventuras.
Que assisti a muitos concertos no Dramático de Cascais.
Que assisti aos ensaios dos Go Grall Blues Band como Banda de Garagem. Os ensaios decorriam numa cave.
Que preservo a vida.
Que sou muito complicada e não relaxo nunca.
Que adoro os meus bichinhos. E os que não têm família, ainda mais.
Que não mato uma mosca. Abro a janela e ajudo-a a encontrar o exterior.
Que tenho medo de atropelar alguém.
Que o trabalho já foi a minha prioridade e arrependo-me.
Que sonho com um mundo melhor para todos.
Que como chocolate às escondidas.
Que sou feliz.

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