quinta-feira, 14 de maio de 2009

Os decotes na escola

A notícia ontem surpreendeu-me. Melhor dizendo, não a notícia, mas a reacção da Associação de Pais: apoiaram a “sugestão” da escola.
Habituada que estou a ver que não se pode contrariar as crianças e os adolescentes, de pais que vão às escolas bater nos professores que tiveram a audácia de repreender os alunos, ontem fiquei de boca aberta, garanto.

Muitas vezes fico preocupada com o contraste entre estas miúdas e a que fui: no vocabulário, no vestir, no estar, na forma como ligam às marcas, tão pequenas e já tão vítimas de consumo, imitações de Barbies e umas das outras, numa liberdade que se confunde com libertinagem (não, não vou falar nas saídas à noite, nem no consumo de shots, por agora).

Imagino que ser mãe ou pai não seja fácil. Escolhi não o ser. Acredito que nunca o tenha sido, mas recuo no tempo em que um “Não” materno nunca era contestado, porque, quando muito, a resposta já se fazia ouvir “Porque não”.
Sou filha de pais-trabalhadores e fui uma adolescente e jovem rebelde [e hoje, não serei ainda mais?!], mas para o liceu, a roupa era tipo farda: calças, camisas ou t-shirts, pullovers atados ao rabo e grandes casacos, tudo muito largo, para não marcar o corpo. E ténis ou botas, conforme a estação.
Saias e vestidos eram coisitas de betinhas. Tops e umbigo à mostra nem pensar…

Também Luís Baptista [dirigente da Plataforma Estudantil Age!,] pensa que a medida "pode ser uma violação das liberdades individuais". O jovem refere ainda que "devem ser os pais a ter uma palavra a dizer sobre a roupa dos filhos, uma vez que são menores".

Convém lembrar que são os pais (ou os responsáveis) que compram as roupas aos jovens, dado que estes não têm rendimentos próprios. Portanto, os pais podem até não ver como eles saíem de casa, mas vêm-na quando lha compram…ou, na melhor das hipóteses, quando a lavam, estendem e passam, não?! É o facilitismo, o não querer contrariar, é o querer ser “o melhor amigo dos filhos”, quando, muitas vezes, os miúdos precisam é mesmo de pai e mãe.

Gosto muito desta ideia de “violação de liberdades individuais”, sobretudo quando aplicada à faixa etária de 12 e 13 anos. Nós, adultos, somos constantemente violados… (Quase) Ninguém faz o que quer. E se não preparamos os jovens para as contrariedades, estamos a criar uma geração disfuncional e imatura. Ou estarei enganada?


Sem comentários: