
Fui ontem buscar os meus exames . Tranquilamente, sem nenhuma preocupação, felizmente.
Chegada à Clínica, as 2 recepcionistas muito ocupadas: a mais velha [fez-me lembrar um boneco do Herman José, a Ruth qualquer-coisa] ignorando-me completamente, ao telefone, combinava uma ida à praia no sábado – com uma colega, segundo depois vim a perceber. A outra, pela minha idade e a única que esboçou um sorriso quando me aproximei, procurava algo em cima das secretárias. Aguardei, com um sorriso [mas daqueles de boca fechada…não sei se me faço entender]. Nisto, ouço uma voz masculina, de uísque e charuto, dizer-lhes: “ Deixo aqui a chave, vou só à Bulhosa comprar um livro para a minha filha, que faz anos.”. Dizendo isto enquanto se inclina-se para me espreitar, dado que uma coluna me ocultava do seu campo de visão, e balança nos dedos a chave de um Porsche, enquanto me olha com intensidade.
Pensei com os meus botões: “De certeza que és impotente!”, enquanto desviava o olhar para a recepcionista que, supostamente, devia estar a procurar os meus exames. Ambas interromperam os seus afazeres, para dizerem em uníssono: “Muitos parabéns, sr. dr.”
Não sou filha de médicos, mas, garantidamente, em todos os meus aniversários tive presentes muito superiores a um livro da Bulhosa, comprado à pressa, num fim de tarde de um dia qualquer…O sr.dr. Caganito [devia dar-me por debaixo do braço] mirou-me dos pés à cabeça, saindo e o único pensamento que me ocorria era: “Que tristeza! E se os exames que venho buscar fossem determinantes? E se eu estivesse numa terrível angústia e ansiedade para saber os resultados? Estes minutos seriam preciosos e estavam a ser perdidos com futilidades…”
Palavra d'honra, há coisas que me irritam!
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