“Decretei” hoje o fim do Inverno. Fartei-me, pronto, tenho dito e não volto a trás!
[não sou de “Dia Marcados para”, já repeti inúmeras vezes…]. Afinal, a Primavera é como o Natal…não querem que complete a frase, pois não ? É um cliché, já sei, mas eu, hoje, (en)fartei-me do Inverno.
Então, "manhãs de Domingo" algo diferente: acabaram-se as mantinhas, os aquecedores, a roupa escura, os [abomináveis] collants opacos, os [ainda mais abomináveis] sapatos fechados…
Quero meias, finas de seda, macias e frescas, quero sapatos [mais] abertos, que destapem o peito do pé…azuis, bicolores bege/castanho…
Por cá, deu-se início à Primavera: “Tira-me* aquela saia, que eu não lhe chego…vá lá…por favor… e esse vestido, o amarelo, a ver se [já] me serve…e, isso ao lado, é uma blusa? Tira-ma cá para baixo”, frenesim de pedidos/ordens/whatever… Numa amálgama de calções, calças, casacos, saias, blusas, vestidos [e tudo aquilo que pode haver no mundo feminino], reino, dona e senhora, sobre as cores…
Sento-me, em contemplação, perante a arca que alberga os meus vestidos de Verão, os de alcinhas, que pedem havaianas. Aguardam a libertação. Aguardam a vida. Retiro um, azul e amarelo, que destapa as costas até “ao nível da decência” (tradução: cóccix), afago-o carinhosamente:
- “Tu não vais vestir isso hoje…estão 14º!”
- “Não vou…mas queria! Queria…muito! As minhas costas pedem para ver a luz do sol…como eu quero também!”
E, de repente, o quarto ganha com: rosa, laranja, azul, verde, bege, lilás…
Sinto-me salpicada de cores, vivas, vibrantes…
A chuva vai continuar?! Quero lá saber! Gabardines tapam tudo, por debaixo, reina a Primavera! Estou cá eu!
* nós por cá, não temos escadote… a mania que não é preciso, que chegamos a todo o lado…