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quinta-feira, 4 de março de 2010

Quando me abraças



Inspiro profundamente. Intuição. Fecho os olhos.
Sinto-te aproximar. Envolvente. Fecho os olhos.
Expiro profundamente. Evasão da alma. Expelida para o Infinito.

Sinto-te tocar, com mãos de nuvens. Que afagam cabelos. Delinear o contorno do rosto. Mãos que descem da testa ao queijo, perdem-se…no relevo das sobrancelhas, na concavidade dos olhos, no desenho das orelhas, no contorno do nariz… e perdem-se, essas mãos de cetim, percorrendo e calando a minha boca, exigindo silêncio, exigindo entrega, em apelativa sedução.

Eterno momento. Silencioso.

Sinto-te exigente. Mãos de vento acariciam-me o pescoço, descem pelas costas…trazes a Noite contigo e já não me pertenço.

Quando me abraças…quando me beijas …quando me entrego… rendida a ti ... e a esse abraço.

És o Silêncio, que me Encontra todas as noites.
És o Silêncio, que Desejo todos os dias.

Participação em  Fábrica de Letras - Tema de Março 2010: Silêncio

segunda-feira, 1 de março de 2010

Xô…



…segunda-feira!
Xô, segunda-feira, irritante, irascível…xô para bem longe de mim!


Além do pedregulho de, em três noites, ter dormido 10 horas, a manhã aconteceu! I-ne-vi-tá-vel!
Tenho um trauma com a 2ªfeira [na última, tive uma telha, de fazer inveja à maior Construtora do pais…mas só eu sei porquê… de frustração, grrrr!], e hoje não foi excepção!

Enquanto passeava, pacatamente, a Pipoquinha, no meio deste Sarayevo em que se tornou a minha rua nas últimas semanas, onde pouco resta de passeio, devido às obras intermináveis [ora chuva, ora isto, ora aquilo] nem sei muito bem do quê, ia sendo [pela enésima vez, arre!] atropelada no passeio!

Tira-me do sério: se eu mandasse, carro algum entrava em Lisboa, excepto os que transportam pessoas de mobilidade reduzida. Algum, ponto! Tudo lindamente estacionado nos parques limítrofes [gratuitos, obviamente!]. É tempo de Lisboa ser, neste sentido, uma cidade verdadeiramente europeia e civilizada.

O espectacular condutor da viatura, não só entrou a matar [passeio rebaixado, né?], como me encurralou, ie, para me deslocar, teria que ir para a estrada [estrada, sim, território dos montes de lata], expondo-me a um possível atropelamento [com a Pipoquinha, convém não esquecer!] e a uma merecida buzinadela…e atiro ao “puto-parvo”, à laia de rosnadela:

- “É à grande! Sou o maior, é tudo meu! Mas eu…vou passar por cima disso!” – aponto para o monte de lata e controlo utilizar a palavra m**** [agora, é assim: rara é a frase que não contenha um impropério!]. Ah, se fosse um carrão topo de gama, de caras que chamava impotente ao puto, mas não é…é um utilitário e o carro não tem culpa…

E o “puto-parvo” não se fica [atenção que tenho o dobro do tamanho dele e, irada, triplico: basta-me um sopro para o atirar ao chão: “Vá fazer queixa à polícia. E aproveite faça do 1º Ministro e de todos os outros que nos andam a roubar…”, “Ainda bem que se coloca ao mesmo nível desses palhaços…”, grito-lhe, atraindo atenções. Vejo que se dirige ao “meu” quiosque [esta visão de longo alcance é-me mesmo muuuito útil!], é rápido, num instante, o “puto-palhaço” tem o jornal na mão. Fico imóvel [para que não se queixe que lhe danifiquei a propriedade, que esta gentinha não é de fiar…], e quando está perto, chuto. “Afinal, coitado, era uma urgência: o jornal” – troço – “totó! Não lhe passou por essa cabeça-oca parar ao lado do quiosque, parolo?” e não fico sem resposta: “Sabe que o seu “bobi” tem que trazer açaime?…”. Ah, entornou tudo: “ Quem morde sou eu, ò palhaço, tire já essa m*** do meu caminho, que eu quero passar!”, rosno, enfatizando, cuspindo as palavras. Provocador, avança com o carro 2 dedos, encostando-o ao muro: “Ora passe lá!”. Estou prestes a “partir-lhe os dentes” [a expressão é da Cris, utilizada a propósito de tudo e de nada!] e devo estar igualzinha ao Adamastor, porque retira-se de marcha-atrás, à mesma velocidade com que estacionou, mas não sem antes me dizer: “Está com azia… deve ser do Porto!”

… e faz-me rir, o palhaçote! Eu, que não tenho filiação/simpatia clubística… tentou ofender-me, este projecto de idiota!

[quase] Pior que estes totós, que gostariam de estacionar na minha sala de jantar, na varanda, etc. … [quantas vezes quero entrar em casa e não tenho espaço, com os carros encostados às portas do prédio, quantas vezes não me fazem sinal, de dentro do carro, com a mãozinha, para me afastar, para estacionarem em cima do passeio] …só mesmo os “pedaleiros”, que não cumprem a sinalética dos automóveis, nem a dos peões, tanto andam na estrada como ziguezagueiam nos passeios!

Logo eu, tão cuidadosa com o meu bebé de 4 rodas, que amo de paixão [só estacionei uma vez, há mais de 20 anos, num passeio de 50 mts, um “mostruoso” Lancia Y10, !cuidado! … e apanhei a única multa da minha vida, até hoje! E paguei-a (5 contos ou 7.500$, não me lembro), em papel de 25 linhas e selos fiscais, ou lá como se chamavam!].

De cuidados extremos mesmo com os carros dos outros: “olha se te riscam o carro ou partem um espelho”, “olha se te partem um vidro para tirar o guarda-chuva”…

Estou uma búfala! Sempre tão low profile, sou incapaz duma cena destas estando acompanhada, mas, sozinha, viro uma fera!

Onde ficam os meus direitos, a minha liberdade individual?

Nestes momentos, a Ira apodera-se de mim!

A PSP, cuja esquadra é a 100 mts, é inoperacional em termos de estacionamento nesta zona: já sei que são mal pagos, que trabalham muitas horas, sem condições, etc … que viram a cara aos problemas dos cidadãos, blablabla…no entanto, que eu saiba, ninguém é “obrigado” a ingressar e esta acção de vigilância não lhes oferece riscos físicos… em princípio!
Só mesmo indo-lhes ao bolso é que estes "condutores" aprendem! É puro desleixo, é o deixa-andar! Mas comigo não…Grrr, estava uma búfala!



Para apreciar o caos, acompanhe este blog , se faz favor!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Blogers “adultos”






“O consumo de blogues diminuiu entre os jovens e os adultos entre os 18 e os 29 anos, cresceu entre os adultos com mais de 30 anos. Os dados referem-se ao universo norte-americano e são do Pew Research Center, nos Estados Unidos, que monitoriza os consumos online desde 2005.”


Este “fenómeno” estará relacionado com o “descrédito” do relacionamento inter-pessoal? Não afirmamos todos que temos “montes” de amigos, colegas, conhecidos, familiares?

Porque estaremos, então, assim dispostos a partilhar “com estranhos” o nosso Universo? E a troca, a partilha acontece…é frequente assistir a comentários de apoio e solidariedade em “momentos cinzentos” nos blogs que sigo. E também já dei colinho…e foi sincero. Como faria a um amigo de longa data…

Estaremos tão decepcionados com a “vida real” ou será apenas uma forma, como outra qualquer, de sair da concha, em busca de novos Conhecimentos, novos Pensamentos e outras formas de estar?

Aposto nesta última hipótese e assumo que me “apaixonei” por alguns blogers…


domingo, 17 de janeiro de 2010

Ritmos de nós





"Dizem que a vida é curta, mas não é verdade.



A vida é longa para quem consegue viver pequenas felicidades.



E essa tal Felicidade anda por aí, disfarçada, como uma criança traquina, brincando de esconde-esconde.
Infelizmente, às vezes, não percebemos isso e passamos a nossa existência coleccionando “nãos”: a viagem que não fizemos, o presente que não demos, a festa à qual não fomos, o amor que não vivemos, o perfume que não sentimos.



A vida é mais emocionante quando se é actor e não espectador, quando se é piloto e não passageiro, pássaro e não paisagem, cavaleiro e não montada.



E, como ela é feita de instantes, não pode e não deve ser medida em anos ou meses, mas em minutos e em segundos.



Esta mensagem é um tributo ao Tempo.


Tanto àquele tempo que soubemos aproveitar no passado, quanto àquele tempo que não vamos desperdiçar no futuro.
Porque a vida é agora."


(Autor desconhecido)



Vamos viver o nosso ritmo, este é o nosso instante.


Vamos ser apenas nós.



sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Dia 1 Janeiro – Dia Mundial da Paz



“A paz não pode ser mantida à força. Somente pode ser atingida pelo entendimento.”
Albert Einstein

Só porque me apetece todos os dias …e não apenas e só hoje.

Homenagear todas as pessoas fabulosas, a quem tenho o privilégio de ter por amigos/as. É sempre com muita emoção que o faço, porque as palavras são sempre poucas para expressar a admiração que sinto por eles/as.

Conheço pessoas fantásticas, únicas, na sua forma de estar, de pensar e de agir. Solidárias, inteligentes, amigas, altruístas, criativas.
Com o seu Ser contribuem para a minha Paz.

Pessoas que partilham a sua vida comigo, com entrega. Não são as risotas e as borgas, são também as lágrimas derramadas, os corações despedaçados pela perda, as mãos apertadas, com toda a força, aquele abraço…e aqueles sorrisos!

E estas pessoas fazem, de facto, a diferença e contribuem para um Mundo melhor [mas MUITO MELHOR, MESMO!]

A maior parte são amigos/as de uma vida.
Estas flores são uma pequena Tela colorida, para que renasçamos dia-a-dia e possamos ser pessoas melhores, com o nosso inter-apoio, e, assim, tornar este Mundo melhor.


Outros, “não têm rosto”, têm apenas coração…e expressam-se através de linhas escritas…linhas rectas ou nem sempre…com humor ou melancolia…com partilhas de vivências. E vamo-nos aprendendo a conhecer.
Este “miminho” é dedicado a todos que “não têm rosto”, em reconhecimento, muito singelo, de apreço pelo bem que me fazem…Por favor, venham “recolhê-lo”…Intitulei-o “Miminho por um Mundo melhor”.

A todos, agradeço a vossa existência na minha vida, porque acredito que uma única pessoa possa fazer a diferença. Para mim faz e basta.


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Maravilhoso Mundo Novo






Hoje, a Maria Teresa deu-me a conhecer um Mundo Novo, que estou a achar MA RA VI LHO SO! Só tenho a agradecer!
Quando parar de rir, tudo contarei…mas resumo [e assumo], sou tão bronca!!!

domingo, 11 de outubro de 2009

Os (meus) hábitos de Leitura






Por curiosidade, agarrei esta ideia:

Desde que me conheço por gente que leio muito. Coisas de filha única, sem irmãos ou outros meninos para brincar. Os livros infantis, de ursinhos e elefantes, em adolescente lia tudo o que apanhava, sobretudo os “proibidos”.

Hoje posso escolher, e tenho fases:

- Fases de literatura light (de cordel, apenas como entretenimento), romances, histórias dos outros, mas que poderiam ser as minhas. Fases de algo mais consistente, também tenho.

- Diariamente, leio jornais, muitos, em papel e na net. Não costumo ler revistas femininas, nem cor-de-rosa, nem de moda, nem de viagens.

- Profissionalmente, leio muita informação técnica, na área do meu trabalho. Leio tudo que me passa pelas mãos, procurando informação e reciclagem.

- Em criança e adolescente, tinha sempre que ler um pouco, senão não adormecia. Lia deitada de bruços, com o candeeiro apontado às páginas. Hoje, leio à noite no sofá, ou de dia na praia, ou na esplanada, ou no jardim…

- Leio em voz alta para a Pipoquinha [deve ser a única que tem paciência para me ouvir...]

- Não faço anotações, mas quando gosto muito de um livro, releio-o, de tempos a tempos.

- Escolho os livros pelos autores, pelos resumos de capa, pelas opiniões da crítica e de amigos. Se leio um livro de um “autor desconhecido” e gosto muito, procuro seguir a sua obra e conhecê-la.

- Não leio livros de terror, suspense [muito suspense], nem policiais. Não leio coisas que me irritam.

- Tenho vários livros “de sempre”, mas ultimamente destacaria “Para a minha irmã”, dado que o filme sob o mesmo título está em exibição.

- Gosto de livros com personagens fortes, humanas, com tal densidade que consiga imaginá-las ao meu lado. Gosto de livros com histórias de animais (gatos, cães) e emociono-me sempre, tipo Marley e eu. Se um livro não me faz chorar copiosamente, não presta [não é bem assim, mas quase…]. Gosto de livros históricos, de época e, na fase adolescente, fascinavam-me as histórias dos Deuses da Mitologia Grega, Romana, e por ai.

Enfim, gostaria de ler mais do que leio, mas nem sempre é possível…

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Talvez


A Casa do Pinhal recomendou este livro. Talvez me faça acompanhar por ele nas F-É-R-I-A-S!!!

Eis a sinopse:
Timbuktu
Auster, Paul
Mr. Bones é um cão de raça indefinida, mas de grande inteligência. Desde cachorro tem vivido com William Gurevitch, um vagabundo, porta errante, um excêntrico sobrevivente das revoluções dos anos 60. Juntos percorreram a América e sobreviveram aos duros Invernos de Brooklin. Agora, que William pressente a chegada da morte, partem para Baltimore em busca de uma antiga professora - a única pessoa em quem pode confiar os seus cadernos de poemas e o seu leal companheiro. «Um livro extraordinário.» (Salman Rushdie).




quarta-feira, 24 de junho de 2009

Proporcionar bons momentos

A Casa do Pinhal promove a sua actividade. Se não tem a quem deixar o seu melhor amigo enquanto vai de férias (ou tem, mas não quer incomodar ou prefere ter a certeza que é bem tratado e não um fardo para os seus amigos ou familiares), experimente a Casa do Pinhal: afecto (muito, mas muito amor), carinho e muitos passeios de certeza não faltarão.
Tudo o que o seu melhor amigo merece e precisa.

Isto quer dizer que eu passaria lá férias, se me aceitassem...
Melhor, significa que confiaria a minha Pipoquinha à Casa do Pinhal.

Os nosso melhores amigos merecem TUDO que lhes possamos oferecer…

Se não o pode levar enquanto aproveita a merecida pausa, se quer estar descansado e poder acompanhar as suas brincadeiras através do blog…está à espera de quê?


domingo, 21 de junho de 2009

Leilão ajuda animais abandonados

O blog 2 amigas solidárias lançou a iniciativa de fazer um leilão de 15 dias de vários adornos e peças decorativas para ajudar instituições que acolhem animais abandonados.
Por favor, participe e divulge.


terça-feira, 19 de maio de 2009

Miguel Torga versão tecnológica

O diário XII de Miguel Torga traduzido para SMS comprova que isto não é um texto literário. O desafio foi abraçado por duas alunas, em defesa da Língua Portuguesa, tão vandalizada e tão desvalorizada pelos seus representantes – todos nós.

A escrita num blog deve ser perfeita, ie, é preciso ter [algum] talento e ideias criativas, ou no mínimo, interessantes (e não as que conduzem às “audiências” e que obtêm comentários do género “sinto exactamente o mesmo” ou “este texto podia ter sido escrito por mim”) ou literalmente nenhuma das duas. Eu não consigo ler blogs em linguagem sms, desculpem, eu preciso mergulhar nas palavras e senti-las vivas e pulsantes.

A escrita numa sms está limitada por caracteres,. No entanto, permite emitir uma informação rápida - lembram-se dos telegramas, facturados à palavra, incluindo os endereço s?! Pois, é desse género… - , não é preciso contar a história da nossa vida…A SMS permite-nos, tranquilamente, escrever. “Estou atrasada, + 15 minutos, sorry, até já” – notaram a educação?!. Não permite tão facilmente: “Estou atrasada porque o raio do trânsito não desenvolve, isto tirá-me do sério, desculpa lá, mas devo demorar ainda mais um quarto de hora”…As explicações [caso haja necessidade] são para quando, enfim, chegarmos, senão comprometem ainda mais o suposto atraso. Isto é apenas um exemplo, no fundo, devemos simplificar a nossa vida: fala-se demais e diz-se de menos…
Cá por mim, cada vez tenho menos que dizer, porque considero que só devemos abrir a boquinha quando temos algo de importante para o mundo, caso contrário, é mantê-la fechadinha, para não entrar mosca!
Em compensação, escrevo como o caraças …e leio, até leio Miguel Torga em versão SMS.